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Constelações Sistêmicas: por amor à você mãe, eu também falo mal dos homens! (e estrago a minha vida)




Participei como representante numa constelação onde a questão era a relação da cliente com os pais. Foram colocados representantes para a Mulher, Mãe, Pai. Colocados frente a frente, logo se revela que a Mulher olha como que envergonhada para a Mãe. Senti necessidade de entrar na constelação, e fiquei atrás da Mãe, cochichando murmúrios nos ouvidos dela, enquanto eu olhava para o Pai. 

O facilitador colocou então um casal atrás de mim, e eu disse que queria o meu marido ali - portanto, eu representava a Avó da cliente. Quando o Avô entrou e ficou próximo de mim, eu comecei a falar mais alto para a Mãe frases como "os homens não prestam", "eles só humilham a gente", e eu olhava fixamente para o Avô, com um olhar de raiva. Aquele casal que entrou por último eram os Bisavós da cliente. A Bisavó olhava para mim com amor. Eu ouço a Mãe dizer que amava o Pai, e nesse momento eu caio de joelhos aos pés da Bisavó, chorando, envergonhada porque tinha a sensação de que "falhei" (ao não ensinar devidamente minha filha a também falar mal dos homens). 

A Bisavó diz "que bom que você não conseguiu filha, porque o amor venceu". Fico com raiva dela, afinal "eu" estraguei a minha vida sendo fiel à ela, não ficando disponível ao amor de um homem. Depois de algumas falas de reconciliação, começo a ceder ao Avô, que tenta se aproximar. Mas ainda fica a dúvida, se vou até ele ou se fico aos pés da Bisavó. Mais algumas frases e finalmente vou aos braços do marido, o Avô. Assim, a Mulher consegue se aproximar amorosamente dos pais. As mulheres falam mal dos homens porque elas sabem a força que carregam - o poder sobre a Vida - e no equilíbrio da balança (de troca), elas não reconhecem o valor dos homens, afinal elas são mães por causa deles! Uma mulher só é mulher ao lado de um homem!

Fonte: Cura Pessoal

Pedagogia Sistêmica: sem raízes não há asas



O sonho que marcou a diferença na educação. A Pedagogia Sistêmica inicia-se no ano 2000. Um novo enfoque, num novo milênio que se baseia no natural da vida e nos elementos que anteriormente não tinham sido observados dentro de um sistema que está inter-relacionando-se totalmente, um com outro. Refiro-me ao sistema educativo, ao sistema familiar e ao sistema social.

Como menciona Marianne Franke Gricksch, em 2006 a transferência da visão sistêmica da terapia familiar para a docência, permite perceber as pessoas não como indivíduos isolados, mas como parte de uma estrutura inter-relacionada. Hellinger assinala que, a nível subconsciente, participamos na trama familiar e de seu destino coletivo. As constelações familiares permitem revelar o fato de que fazemos parte de uma grande alma que compreende a todos os membros da família, sujeitos a um ordem essencial. Tem-se que encontrar e respeitar tal ordem para que encontremos nosso lugar dentro da nossa família, respeitando o destino dos outros membros dessa família. O respeito e o amor à família não são um sentimento, constituem uma postura baseada em princípios que geralmente não é consciente. Nossa inclusão nessa grande alma é um senão, e nós nos encontramos sujeitos ao nosso destino familiar. Nisto se baseia o enfoque sistêmico-fenomenológico.

A visão da Pedagogia Sistêmica é belíssima, porque vê nas atitudes disfuncionais dos alunos, somente uma mostra profunda de amor; uma lealdade incondicional ao pai, uma lealdade incondicional à mãe. A última oportunidade que temos como pais de família, de participar de maneira poderosa e eficaz na vida de nossos filhos é na adolescência; e hoje, os filhos, os alunos, precisam muitíssimo dos adultos, precisam de uma participação afetiva e generosa, desde declarar que o processo educativo se leva a cabo, principalmente, através do trabalho dos pais; neste ponto, baseia-se a diferença. Que se requer? Firmeza e Sensibilidade. Essencialmente, como professores, precisamos tomar nossos pais em nosso coração, e daí, se abre a sensibilidade, mas junto com a sensibilidade, uma outra ferramenta fundamental, é a firmeza. Não é uma ou a outra, são as duas juntas. Amor claro e reconhecimento de limites.

Na Pedagogia Sistêmica recuperamos a alegria por viver, e é a força que levamos a aula.
Imaginemos os professores usando o amor que lhes é comum, porém tomando a força de seus próprios pais, e daí fluindo para seus alunos; e imaginemos o amor dos pais de seus alunos fluindo através deles; isso é poderosíssimo. Toda a diferença é educar no amor, fluindo desde a ordem. Sem ordem, não flui o amor; não tem a mesma força e, portanto, o mesmo impacto; O AMOR DOS PAIS FLUINDO NOS FILHOS É A FORÇA NA EDUCAÇÃO.

Escrito por Angélica Olvera (CUDEC)

VINCULO PSÍQUICO COM OS ANTEPASSADOS


O método da constelação familiar torna visível como os seres humanos estão ligados em sistemas de vinculação e emocionalmente dependentes uns dos outros de muitas formas. Mostra o caminho que sobretudo os sentimentos e pensamentos difíceis tomam no interior de um sistema pluri-geracional. Distingo os conceitos de relação e de vínculo. Há relações em que não existem vínculos emocionais verdadeiros (p. ex. quando um homem e uma mulher vivem juntos sem terem sentimentos um pelo outro) e noutras há vínculos apesar de não existir nenhuma relação real (p. ex. quando alguém tem uma forte ligação a um parceiro anterior, talvez até já falecido). Vínculos fortes e em parte indissolúveis são criados sobretudo pela descendência biológica (nomeadamente os vínculos mãe- filho,  pai- filho e entre irmãos) e pela sexualidade (vínculo entre parceiros). Os vínculos são caracterizados por sentimentos fortes como amor, medo, raiva, orgulho, vergonha ou culpa. Os vínculos estabelecem-se, regra geral, sem um esforço consciente das pessoas em questão. Acontecem. Uma vez estabelecidos oferecem resistência à sua dissolução. A possível perda de um vínculo provoca medo. Os vínculos estão protegidos contra a sua dissolução arbitrária pelo facto de a separação criar uma dor forte. A dimensão da dor provocada pelo soltar do vínculo é um sinal da força desse mesmo vínculo.

É através dos vínculos que se estabelecem as estruturas básicas trans-geracionais da convivência humana. Sem vínculos não haveria grupos humanos maiores. Provavelmente não haveria o que chamamos fraternidade. Podemos constatar também em animais formas de comportamento e de vida baseados em vínculos. Para realçar a qualidade específica da ligação entre seres humanos escolhi a noção vínculo de alma. O conceito de alma tem grande importância na história cultural e filosófica humana. A alma, em todas as religiões e filosofias tem a função de colocar questões sobre a origem da vida, da existência específica do ser humano no mundo e  daquilo que resta de uma pessoa depois da sua morte biológica.

Defino a alma como aquela força que liga o que  pertence a um grupo de seres e o delimita de outro. Uma alma comum inclui assim, conjuntos de seres humanos e delimita-os. Cria o sentimento de pertença. Cada pessoa participa na alma comum do seu grupo com os seus sentimentos. Assim a alma é  parte de cada elemento do grupo mas também é um fenómeno sobre- individualO relacionamento de cada elemento com o respectivo grupo influencia os seus membros  na sua percepção,  sentir, pensar, imaginar e lembrar. A alma significa, neste sentido, também partilhar sentimentos. Sobretudo as crianças absorvem na sua própria psique os sentimentos dos pais.

Segundo Hellinger o sentimento e a necessidade de pertença são, por seu lado, a base da consciência (Hellinger, 2002, p. 210 seg.). A consciência orienta comportamentos elementares na base dos sentimentos de culpa e inocência. Favorece assim, a troca entre membros de um conjunto de pessoas e regula o dar e o receber e também o respeito por certas ordens básicas em grupos. É  grande mérito de Hellinger  ter percebido e formulado tão claramente a relação entre vínculo e consciência e de chegar, assim, à compreensão profunda de culpa e inocência. Pela relação no grupo estabelece-se uma compreensão de bem e de mal, de  certo e de errado. A verdade e a moral são, nas suas formas originais, relacionadas com o grupo e, portanto, relativas. O que num grupo é considerado bom e correcto pode ser considerado mau e errado noutro. Devido à sua pertença a grupos os seres humanos pensam naturalmente em termos ideológicos e consideram-se em geral  melhores que os elementos de um outro grupo. Quem faz parte de um grupo tem  direito a uma proteção especial no seu seio. Não pode ser excluído. Por causa da importância desse vínculo na  sua vida e na sua sobrevivência, a exclusão de uma pessoa pelo seu grupo tem uma qualidade traumática. Como os vínculos não se dissolvem automaticamente pela morte e como todos nós tememos a exclusão do grupo continuamos a dar aos mortos, por muito tempo, um lugar na alma do grupo. Em quase todas as culturas as pessoas passam muito tempo a lembrar os seus mortos.

Franz Ruppert