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20° Grupo de Constelação Familiar em Florianópolis



20° Grupo de Constelação Familiar em Florianópolis

A Terapia da reconciliação familiar

Data: Quinta-feira 04 de julho de 2013

Horário: 17 horas

Centro – Florianópolis

Telefone para reservas: 48-9927-5666


Grupo de Constelação Familiar Sistêmica


19° Grupo de Constelação Familiar em Florianópolis
A Terapia da reconciliação familiar

Data: 29 de junho de 2013
Horário: 14 horas
Centro – Florianópolis

Reservas: 48-9927-5666

http://psych-kconstelacao.blogspot.com.br/


A Terapia da reconciliação familiar



18° Grupo de Constelação Familiar em Florianópolis

A Terapia da reconciliação familiar

Data: 19 de junho de 2013

Horário: 17 horas

Centro – Florianópolis

Reservas: 48-9927-5666

17° Grupo de Constelação Familiar em Florianópolis



17° Grupo de Constelação Familiar em Florianópolis

A Terapia da reconciliação familiar

Data: 15 de junho de 2013

Horário: 14 horas

Centro – Florianópolis

Reservas: 48-9927 5666


Benefícios da Terapia da Constelação Familiar


Constelação Familiar, técnica terapêutica criada por Bert Hellinger (psicoterapeuta alemão), onde reconstruímos emocionalmente a nossa árvore genealógica, o que permite localizar e remover bloqueios do fluxo amoroso de qualquer geração ou membro da família. Muitas das dificuldades pessoais, problemas de relacionamento são resultados de confusões nos sistemas familiares. Esta confusão ocorre quando incorporamos em nossa vida o destino de outra pessoa viva ou que viveu no passado, de nossa própria família sem estar consciente disto e sem querer. Isto nos faz repetir o destino dos membros familiares que foram excluídos, esquecidos ou não reconhecidos no lugar que pertencia a eles.
Cada ser humano carrega em si todas as informações sobre as vidas de seus antecessores, tanto mental quanto fisicamente. É o que chamamos de patrimônio e é impresso nas profundezas do nosso ser, em nossos genes e no inconsciente coletivo de nossa família e isso é transmitido de geração em geração. Também é herdado: o caráter (bom ou mau), certos gostos, tendências e comprometimento, assim como estados depressivos, neuróticos, psicóticos ou obsessivos que caracterizaram alguns dos antepassados. Estamos ligados a características e destino de muitas pessoas que nos antecederam. Somos uma alma que é parte integrante de uma história que é herdada de geração em geração; e que marca cada ser humano de forma particular. Todas essas informações sobre a nossa história familiar estão ativas no sistema, quer saibamos ou não. A história da nossa família está impressa em nossas células levando a uma ordem que permite que a vida flua através de nós. Esta ordem vai se traduzir em qualidades. Mas nós também herdamos os conflitos não resolvidos que foram gerados dentro de nossas famílias, devido a fatores tais como:

Disputas por herança
- Separações traumáticas
- Imigração para outros países
- A exclusão de membros da família
- Alteração da hierarquia dentro da família
- Segredos de Família, traição, filhos não reconhecidos, criminalidade, etc.
- Violência intra e extra-familiar (guerras, assassinatos, suicídios, disputas de poder
- Perda trágica de entes queridos
- Abortos espontâneos e provocados
    Para que a terapia tenha êxito, as informações citadas acima sobre o sistema familiar devem ser fornecidas ao facilitador ou terapeuta. Identificando as desordens, exclusões, tragédias e grandes perdas, ele poderá atuar de forma direta proporcionando alívio e liberação ao cliente e ao seu sistema familiar.
A terapia de Constelações Familiares utiliza vários recursos:
a) Terapia Individual 
b) Genograma 
c) Constelação Interior 
d) Terapia de Grupo 
e) Visualização e Meditação 

f) Reprogramação


Agende sua consulta com a Facilitadora Tania Rocha: 48-9927-5666

Doenças Mentais - um olhar sistêmico


As doenças mentais e transtornos psiquiátricos sempre foram cercados de grande mistério e apreensão. Na Antiguidade as pessoas que apresentavam distúrbios de ordem mental eram, muitas vezes vistas como iluminadas, enviadas com algum propósito grandioso. Já na Idade Média tais pessoas eram consideradas proscritas, castigadas por Deus ou até mesmo, endemoninhadas. Após a revolução industrial o louco é visto como alienado, passando a ser recluso em manicômios, onde práticas de toda espécie passam a ser empregadas experimentalmente com finalidade terapêutica. Com a evolução das pesquisas e estudos relacionados ao sistema familiar, os cientistas descobriram que as relações entre os membros e ocorrências trans geracionais poderiam fornecer indicações consistentes de como as pessoas desenvolvem muitos distúrbios mentais e de comportamento.
Estudiosos observaram correlação entre a forma como um surto psicótico ocorre e um tema significativo para família cujo membro manifestou os sintomas. Constata-se também que a pessoa que manifesta o surto, em geral, apresenta indícios de ser o mais sensível e inteligente dentre os irmãos de uma mesma família. Além disso, na visão sistêmica, esse membro se apresenta como bode expiatório para reparar um dano físico ou emocional cometido ou sofrido por antepassados e, até mesmo, envolvendo outras pessoas fora do sistema familiar. Nesse sentido é como se o indivíduo se apresentasse em sacrifício pela família. Por isso, é necessário olhar com muita consideração e respeito para essas pessoas, que muitas vezes acabam sendo excluídas não só da própria família como também da sociedade. Durante um dos nossos workshops realizamos uma constelação de um rapaz de seus 30 anos, cujo comportamento apresentava claros indícios de esquizofrenia com características de delírio paranoico.
Ao abrirmos seu sistema familiar encontramos a ocorrência do assassinato de uma pessoa por um membro de sua família. Ficou demonstrado pelos movimentos, que o rapaz ficara aprisionado entre a identificação com a vítima e, ao mesmo tempo, com o agressor. A necessidade de inclusão daquelas pessoas reconhecendo-as como membros do sistema familiar fora captada pelo rapaz que, ao cindir sua personalidade, denunciava a existência de dois lados antagônicos e possivelmente excluídos pela família. A constelação fora conduzida de forma a restabelecer o equilíbrio no sistema, promovendo a aproximação e harmonização entre os dois lados representados por agressor e vítima. Ao final do processo as pessoas foram harmonizadas e incluídas e quase que de imediato percebeu-se uma mudança na expressão e energia do rapaz. Em muitos outros processos terapêuticos com pessoas portadores de distúrbios mentais e psiquiátricos nos quais, após a Constelação notou-se a evidência de fatos relevantes e impactantes ao sistema familiar, bem como significativa melhora nos sintomas desses pacientes. Portanto, é preciso considerar além dos tratamentos tradicionais, a possibilidade de um trabalho terapêutico através da Constelação, pois além do nível orgânico estaremos também tratando a pessoa no nível sistêmico, possibilitando assim, um somatório de recursos para melhora do quadro mental do cliente.
LILIAN TESCAROLLI e FERNANDO GONÇALVES

Quando o amor acaba....



Pergunta para mim mesmo... é que estou vivendo exatamente esta fase do "... e agora"? Sempre vem um monte de perguntas na cabeça, um monte de dúvidas, e emoções intensas afloram como o dragão a sacudir suas asas para fora da caverna. Raiva, ciúme, inveja, sentimento de coitadinho, impotência, decepção... Mas será que é só isso? 

Bem... não vou escrever um texto do tipo "10 dicas para uma separação feliz"... porque seria, em primeiro lugar, uma enganação. Não existe separação feliz. Em segundo lugar, porque cada caso é um caso... Ainda não conheci uma separação como a minha, onde não houve traição, não houve sérios problemas financeiros, não houve brigas homéricas... inclusive, continuo a manter a amizade, o respeito e até o trabalho conjunto com a ex. Foram 15 anos. Dois filhos. Muitas conquistas. Muitas mudanças. Aprendizado infinito. Compramos casas. Descompramos. Criamos empresa. Descriamos. Caminhei pela senda do meu desenvolvimento espiritual... e aí acho que foi o x da questão. Sempre fui muito ligado à espiritualidade. De uma forma mais racional, mas um interesse enorme pelo crescimento da alma. E na minha concepção, o desenvolvimento espiritual incluía a formação de uma família feliz. Uma família feliz, que eu não tive. Aí a coisa pegou. Eu não sabia, mas estava misturando um desejo profundo da alma, que é perceber a realidade de ser e estar uno a Deus, com uma dor profunda da criança emocionalmente ferida, que desejava criar uma família que eu não tive. 

Sim, nasci sem conviver com meu pai. Ele já estava com outra. E minha mãe me deixou aos 4 ou 5 anos. Isso, lógico, sem contar com suas inúmeras ausências e descaso, nos primeiros anos de vida. Eu e meu irmão mais velho fomos criados pelos avós paternos. Ele, esquizofrênico. E eu me achava normal. Minha avó era neurótica, meu avô, omisso e subjugado. Mas somente hoje percebo que, em proporções diferentes, eu era também doente mental. Sim, doente, pois durante 40 anos da minha vida, vivi com a mente emocional presa a este passado. E por isso tentei desesperadamente criar a família feliz. Mas como criar uma família feliz, se eu não estava emocionalmente ligado ao casamento? Eu não era o marido, mas, sim, uma representação do que deveria ser o marido ideal, que eu nem sabia o que era. Também não era pai, mas uma representação do que seria o pai perfeito que eu não tive. Vivendo os fantasmas do passado, nunca me permiti ser eu. Fazia tudo para que a família estivesse unida... sacrifiquei-me o tempo todo para que a esposa estivesse feliz - e ela nunca estava... e assim não destruísse um sonho que, no fundo, era o meu maior pesadelo: uma família unida. Na verdade, havia uma criança lá no fundo, dentro de mim, dizendo: não me abandone novamente, papai. Não me deixe mamãe. Proteja-me papai. 

Hoje, trabalhando com constelação familiar, descobri que eu - ou esta criança interna, estava negando o passado, a família que eu tive, negando meu pai e minha mãe. Estava, de certa maneira, dizendo: não aceito que foi assim! Vou mostrar como é que se faz! Vamos pensar racionalmente: negar uma coisa que foi, que aconteceu, e ainda por cima, criar em cima disso um sonho, não tem como dar certo, né? Em constelação, sabemos que ao negar o pai e a mãe, negamos todas nossas raízes, e aí perdemos a força para a vida. Entendi, a duras custas e cabeçadas na parede, que a vida não se faz nem com negações, nem com sonhos. A vida se faz vivendo aquilo que é, aqui e agora. Se é pão, é pão. Se é pedra, é pedra. Não adianta querer mudar aquilo que é. E isso também é desenvolvimento espiritual. Ao negar aquilo que o Universo me proporcionou como família, estava negando Deus. Ao negar os fatos da infância, alguns realmente muito dolorosos, estava negando a vida. Ao perceber isso, algo em mim iniciou um movimento de resgate. Resgate de mim mesmo. Viver a minha própria vida. Apesar de todas as circunstâncias da vida, sou uma pessoa abençoada. Abençoado, inclusive, por ter encontrado uma mulher que também está em seu caminho espiritual, e possui qualidades incríveis, que muito me auxilia. Abençoado porque finalmente posso dizer: estou me desprendendo da necessidade de me pendurar emocionalmente em alguém. Não posso conceber uma relação onde um está pendurado no outro, e se o outro se ausenta, existe um sofrimento intenso. Isso não é amor, mas uma doença chamada co-dependência. Neste momento, tenho a possibilidade de realmente estar presente nas minhas relações, sejam familiares, sejam profissionais. Estar íntegro e disponível aos meus clientes, ao meu trabalho, e a mim mesmo. Sem desviar energia para ficar ruminando o passado, e nem desviar energia para criar fantasias sobre o futuro. Tudo isso é um processo. Lógico que tem horas que estou mais íntegro, e outras que estou totalmente fora do eixo. O negócio é respeitar o processo, os altos e baixos... porque sinto, claramente, que o equilíbrio lentamente vai se instalando, à medida em que permito que as coisas sejam como elas são. O equilíbrio surge como uma graça, e não como uma imposição mental. Incluindo até meus altos e baixos, permito que eu seja como sou. Com todas as imperfeições. Todas. Com todo o passado. E também com a luz e o brilho que Deus me deu, que no fundo, é a minha única realidade. 

Alex Possato é facilitador sistêmico, consultor e diretor do Nokomando - Desenvolvimento pessoal e espiritual 

Violência Intrafamiliar: uma visão transgeracional


O aprendizado de meninas e meninos acerca de seus papéis é um fator de risco importante para a violência. A tendência natural de uma criança é responder às situações vividas de acordo com seus modelos. Assim, se possuírem um modelo de interação violenta irão aprender também a serem violentas. Uma vez internalizados, estes aprendizados são incorporados na escala de valores do indivíduo determinando sua forma de enfrentar as expectativas sociais, sendo isto específico para cada sexo.Nas famílias com histórico de violência existem idéias que são sustentadas através do discurso do abusador, da pessoa que sofre a violência e das pessoas de fora da família que convivem com a mesma. Idéias que não são questionadas, o que faz com que tenham um forte impacto no sistema familiar como um todo.
Na violência familiar produzem-se circuitos de repetição de padrões de interação nos quais participam pelo menos três diferentes instâncias: o abusador, a pessoa abusada e o contexto reforçador. Cada uma destas instâncias possui uma lógica de pensar e agir que muitas vezes contribui para a negação dos atos violentos na família. Para o abusador, os componentes mais freqüentes desta lógica são: sente-se vítima de algo que seu companheiro faz, não é empático com os outros membros da família, supõe que são os outros, principalmente a pessoa abusada que deve se conter; acha que se encontra em uma posição hierárquica superior, etc. Coerentemente a estas idéias age gritando, humilhando, não agradecendo, batendo, etc, não percebendo sua conduta como violenta.  Conseqüentemente, a violência passa a ser vista como natural neste ambiente. Já para a pessoa abusada, os componentes que estabelecem uma lógica para a violência, impedindo-a de percebê-la são outros: não se vê como importante nas suas relações, tem baixa auto-estima, desconhece seus direitos, acredita que o abusador é dono do saber, etc. A partir desta lógica conduz-se de forma a sustentar, apoiar e cuidar do abusador. Estudo recente revelou que mulheres violentadas possuem uma baixa percepção da violência, não reconhecendo muitos mal tratos vividos como atos violentos. É este funcionamento complementar entre abusador e abusado que sustenta a violência intra-familiar, permitindo que esta situação se repita. Como conseqüência, os filhos vivem e aprendem que a violência faz parte de uma rotina aceitável, levando-os a repetir este mesmo padrão quando adultos em suas próprias famílias.
ANA BEATRIZ PEDRIALI GUIMARÃES - SILVIA BRASILIANO - Patrícia Brunfentrinker Hochgraf

Conflito entre alunos – uma abordagem seguindo as leis do amor


Relato do caso

O relato abaixo foi extraído da prática de uma amiga que tendo trabalhado há anos em escolas no ensino fundamental foi apresentada ao trabalho de constelações em 2005 através de nosso instituto. Baseado nas leis do amor descritas por Bert Hellinger essa amiga, que atuava como orientadora em uma escola, viu-se um dia frente a uma situação corriqueira: duas alunas do 1º ano brigaram e uma delas bateu na outra. Foi um tapa que a primeira (aqui vou chamá-la de Ana) deu na segunda (aqui vou chamá-la de Camila), e as duas foram levadas à orientadora. Seguiu-se a seguinte história:

Camila: Ela me bateu e doeu muito!
Orientadora (para Ana): Você agora pode ver que a Camila está chateada com você e com razão. Olhe para ela... Quando a gente bate nos outros é assim, tem conseqüências.
Ana: Mas ela falou algo comigo que eu não gostei...
Orientadora: Bem, só por causa disso você não tem o direito de bater nela. Veja: agora ela está muito chateada com você. Você quer isso?
Ana: Não! Eu gosto de brincar com a Camila.
Orientadora: Bem, Camila, você pode ir. A Ana ainda vai ficar aqui comigo.
(Após a saída da Camila)
Orientadora: Sabe, entre duas pessoas sempre existe uma troca. Você dá uma coisa boa e recebe outra. Você dá uma coisa ruim e recebe outra. Você agora tem que pagar pelo que fez à Camila se deseja realmente que as coisas entre vocês duas fiquem bem de novo.
Ana: Tia, mas eu não tenho dinheiro!
Orientadora (rindo): Não se trata de dinheiro, a gente paga de muitos modos... Você logo logo vai compreender. Me procure mais tarde...

Mais tarde Ana procura espontaneamente a orientadora.
Ana: Tia, a Camila não quer mais brincar comigo. Eu pedi a ela, mas ela disse que não queria mais brincar comigo. (Começa a chorar baixinho).
Orientadora: É claro! Lembra o que eu lhe disse antes? Ficar sem brincar com ela é parte do “preço” que você tem que pagar por ter batido nela...
Ana: (Chorando baixinho) Mas eu gosto dela... tia, é minha melhor amiga...
Orientadora: Ok. Amanhã poderemos resolver isso. Vá para casa, sua mamãe está te esperando...

No outro dia, a orientadora chama as duas para uma nova conversa. Coloca-as frente a frente novamente, de forma que ambas possam ver uma a outra.
Orientadora: Ana e Camila, vocês sempre brincaram juntas, e ontem vocês brigaram, sendo que a Ana bateu em você Camila. Mas ela me procurou ontem ainda e me disse que estava sentindo falta de voltar a brincar com você, Camila. Você tem algo a dizer Ana?
Ana: Sim, tia. (Para Camila) Eu sinto muito que eu bati em você. Eu queria voltar a brincar com você.
Camila: Eu estava com raiva, mas agora eu estou bem. Agora eu quero brincar com você de novo. Eu também sinto muito que eu xinguei você.
Orientadora: Certo! Vão brincar então!

Comentário

Habitualmente quando há um conflito na escola a estratégia muitas vezes do orientador é buscar a reconciliação através do “perdão” e do “pedido de desculpas”. Quando olhamos para essas tentativas à luz das leis do amor que Hellinger descobriu, percebemos que essa abordagem viola o equilíbrio no dar e tomar. O agredido é quase que obrigado a “perdoar” o agressor, e com isso sofre o dano e ainda tem que arcar quase sozinho com as conseqüências. Ele então fica com raiva. Na superfície talvez “perdoe” mas na realidade não. O conflito persiste, e o que é ainda pior, subjacente. O agredido permanece com um desejo secreto de vingança. Também o agressor é “humilhado”, pois não pode se manter “igual”. É de certa forma como que forçado a se “diminuir” perante o agredido. Hellinger mostra que num conflito assim o agressor tem não apenas o dever de reparar, mas o direito de fazê-lo e o agredido tem não só o direito de exigir reparação mas o dever de fazê-lo, a bem da reconciliação. Porém se o agressor não quer, não pode ou não sabe como reparar, por exemplo fazendo algo bom ao agredido, então é adequado que o agredido “dê um troco” um pouco menor do que aquilo que lhe foi feito, a fim de restabelecer o equilíbrio no dar e tomar. Aqui nesse exemplo fica claro como a agredida deu um “troco” um pouco menor ao se recusar a brincar com a “agressora”. E como isso abriu as portas para uma rápida reconciliação. A orientadora ao mostrar à parte agressora as conseqüências de seus atos e permitir que ela arcasse com as conseqüências não tentou forçar uma reconciliação antes da hora, mas permitiu que as leis do amor atuassem por si, o que resultou uma solução “natural” e simples.

Esse é um relato que acredito ser útil a milhares de educadores no Brasil que estejam desejosos de aplicar os princípios da pedagogia sistêmica segundo Bert Hellinger no âmbito de suas escolas. Observem que não houve a necessidade de procedimentos complicados e nem mesmo a execução formal de uma constelação familiar para que a solução fosse atingida, o que mostra a simplicidade dos princípios da abordagem sistêmica fenomenológica desenvolvida por Bert Hellinger.

Escrito por Décio Fábio de Oliveira Júnior   

PEDAGOGIA SISTÊMICA


O sistema de educação, o sistema familiar e o sistema social encontram-se em constante interação na sala de aula. Pedagogia Sistêmica vem de encontro com a necessidade de gerar e fortalecer o vínculo entre os professores e os alunos incluindo o sistema familiar de origem. Atende todos os sistemas, sua interação e o lugar de cada um dos elementos do sistema para uma maior funcionalidade. A Pedagogia Sistêmica promove a aprendizagem dos alunos mediante o trabalho conjunto com os pais de família, para educar de maneira conjunta escola e família.

A Educação Sistêmica contribui em vários níveis:
- Na escola como organização: favorece a cooperação entre supervisores, diretores, consultores, professores, alunos e famílias.
- Na escola como entidade educadora: enriquece as atividades de aprendizagem. Quando os conteúdos educacionais introduzem elementos familiares e sistêmicos, aprende-se mais facilmente.
- Na escola como âmbito democrático de convivência: potencializa a inclusão, a resolução de conflitos e a participação na comunidade.
 - Na escola como motor de melhoria contínua e aperfeiçoamento dos professores.
- Na escola e na família como fator de mudança na postura de profissionais na área do ensino, pais e alunos, a partir da aplicação das Leis Sistêmicas Básicas.
- Tem sido utilizada hoje como um dos principais instrumentos de apoio à aprendizagem e administração de escolas na Europa e México.
- Nos órgãos públicos de atendimento à criança e ao adolescente auxiliando na reintegração dos mesmos na família, na escola e na sociedade.

Fundamentos conceituais da Pedagogia Sistêmica:
a) Constelações familiares
b) Fenomenologia
c) Teoria de Sistemas
d) Terapia familiar sistêmica
e) Construtivismo

Problemas que soluciona:
a) baixo rendimento escolar
b) falta de atenção na aula
c) disciplina na sala de aula
d) comunicação com o docente
e) integração familiar
f) formação axiológica
g) estruturação da jornada escolar
h) integração do grupo
i) formação docente
j) outros

www.espacopsi.com

Pedagogia Sistêmica: sem raízes não há asas



O sonho que marcou a diferença na educação. A Pedagogia Sistêmica inicia-se no ano 2000. Um novo enfoque, num novo milênio que se baseia no natural da vida e nos elementos que anteriormente não tinham sido observados dentro de um sistema que está inter-relacionando-se totalmente, um com outro. Refiro-me ao sistema educativo, ao sistema familiar e ao sistema social.

Como menciona Marianne Franke Gricksch, em 2006 a transferência da visão sistêmica da terapia familiar para a docência, permite perceber as pessoas não como indivíduos isolados, mas como parte de uma estrutura inter-relacionada. Hellinger assinala que, a nível subconsciente, participamos na trama familiar e de seu destino coletivo. As constelações familiares permitem revelar o fato de que fazemos parte de uma grande alma que compreende a todos os membros da família, sujeitos a um ordem essencial. Tem-se que encontrar e respeitar tal ordem para que encontremos nosso lugar dentro da nossa família, respeitando o destino dos outros membros dessa família. O respeito e o amor à família não são um sentimento, constituem uma postura baseada em princípios que geralmente não é consciente. Nossa inclusão nessa grande alma é um senão, e nós nos encontramos sujeitos ao nosso destino familiar. Nisto se baseia o enfoque sistêmico-fenomenológico.

A visão da Pedagogia Sistêmica é belíssima, porque vê nas atitudes disfuncionais dos alunos, somente uma mostra profunda de amor; uma lealdade incondicional ao pai, uma lealdade incondicional à mãe. A última oportunidade que temos como pais de família, de participar de maneira poderosa e eficaz na vida de nossos filhos é na adolescência; e hoje, os filhos, os alunos, precisam muitíssimo dos adultos, precisam de uma participação afetiva e generosa, desde declarar que o processo educativo se leva a cabo, principalmente, através do trabalho dos pais; neste ponto, baseia-se a diferença. Que se requer? Firmeza e Sensibilidade. Essencialmente, como professores, precisamos tomar nossos pais em nosso coração, e daí, se abre a sensibilidade, mas junto com a sensibilidade, uma outra ferramenta fundamental, é a firmeza. Não é uma ou a outra, são as duas juntas. Amor claro e reconhecimento de limites.

Na Pedagogia Sistêmica recuperamos a alegria por viver, e é a força que levamos a aula.
Imaginemos os professores usando o amor que lhes é comum, porém tomando a força de seus próprios pais, e daí fluindo para seus alunos; e imaginemos o amor dos pais de seus alunos fluindo através deles; isso é poderosíssimo. Toda a diferença é educar no amor, fluindo desde a ordem. Sem ordem, não flui o amor; não tem a mesma força e, portanto, o mesmo impacto; O AMOR DOS PAIS FLUINDO NOS FILHOS É A FORÇA NA EDUCAÇÃO.

Escrito por Angélica Olvera (CUDEC)

Como surgiu a pedagogia sistêmica



O trabalho, ora denominado “Pedagogia Sistêmica”, originou-se a partir dos trabalhos do filósofo e professor alemão Bert Hellinger. Sua carreira como missionário católico na África do Sul durante quase 20 anos, lecionando em escolas para os zulus, durante o regime do apartheid colocaram-no em uma perspectiva ímpar para identificar questões de conflito e consciência. Seu desenvolvimento pessoal o levou a estudar e praticar uma vasta gama de abordagens psicoterapêuticas, a saber: psicanálise, análise transacional, hipnoterapia Ericsksoniana, terapia primal, Gestalt, esculturas familiares, análise de histórias, etc. Seus trabalhos o levaram a descobrir a natureza da consciência pessoal e certas leis inconscientes que ditam o comportamento humano em grupos familiares e sociais, as quais denominou “ordens do amor”.

Mais tarde, diversos professores e pedagogos iniciaram a aplicação do método na área educacional, sendo a contribuição mais relevante feita inicialmente por Mariane Franke-Gricksh a qual escreveu um livro denominado “Você é um de nós” (publicado no Brasil pela Editora Atman. Depois disso a abordagem se difundiu pelos países de fala espanhola, especialmente o México e a Espanha.

No ano de 1999 aconteceu o primeiro contato entre Bert Hellinger durante um workshop em Constelações Familiares em Barcelona (Espanha). No ano seguinte, em maio, Bert Hellinger trabalhou no CUDEC. Em novembro de 2003, Hellinger oferece no CUDEC o primeiro workshop aplicado à educação. E finalmente, no ano seguinte, celebram o I Congresso Internacional de Pedagogia Sistêmica, que aconteceu na Cidade do México (México). Em 2006, aconteceu em Sevilha (Espanha), o II Congresso Internacional de Pedagogia Sistêmica, com a presença de 700 pessoas de vários países.

Escrito por Angélica Olvera (CUDEC)

Ajudando crianças difíceis

1. O amor que sabe

A idéia de que devem e podem assumir algo pelos pais ou ancestrais faz parte do pano de fundo que causa dificuldades aos filhos. Isso leva a problemasintermináveis para eles. E de certa forma também para os pais. Para entendermos isso é necessário que saibamos algo sobre a diferença entre as diversas consciências.

2. A boa e a má consciência

Nós sentimos a nossa consciência como boa e má consciência, como inocência e culpa. Muitos pensam que isso teria a ver com o bom e o mau. Contudo, não é assim. Isso tem a ver com o vínculo à família e com a separação dela. Cada um de nós sabe, intuitivamente, com a ajuda de sua consciência, o que deve fazer para fazer parte dela. Uma criança sabe, intuitivamente, o que deve fazer para pertencer à família. Caso se comportar de maneira correspondente ela tem uma boa consciência. Uma boa consciência significa então: eu sinto que tenho o direito de pertencer. Se uma criança se desvia disso ou se nós nos desviamos disso, temos medo de perder o pertencimento. Sentimos esse medo como uma má consciência. Uma má consciência significa, portanto: tenho medo de ter colocado em jogo o meu direito de pertencer.

Sentimos a boa e a má consciência de formas diferentes em diferentes grupos. Até as sentimos de forma diferente, conforme cada pessoa. Por isso temos, por exemplo, em relação ao pai uma consciência diferente da que temos em relação à mãe e na profissão uma outra consciência diferente da que temos em casa. Portanto, a consciência muda continuamente porque temos de grupo a grupo e de pessoa a pessoa uma outra percepção, pois de grupo a grupo e de pessoa a pessoa o que devemos fazer ou deixar de fazer é algo diferente, para podermos pertencer. Com a ajuda da consciência também diferenciamos aqueles que nos pertencem daqueles que não nos pertencem. Na medida em que a consciência nos vincula à nossa família, ela nos separa de outros grupos ou pessoas e exige de nós que nos separemos deles. Por isso, devido à nossa consciência temos freqüentemente sentimentos de rejeição e até de inimizade em relação a outras pessoas e a outros grupos. Essa rejeição tem a ver com a necessidade do pertencimento e tem pouco ou quase nada a ver com o bom e o mau. Portanto, essa consciência é uma consciência que sentimos. Com a ajuda dessa consciência, diferenciamos entre o bom e o mau, mas sempre apenas em relação a um determinado grupo.

3. O emaranhamento

Contudo, existe ainda uma outra consciência oculta, uma consciência arcaica, uma consciência coletiva. Essa consciência segue outras leis diferentes daquelas ditadas pela consciência que sentimos. É a consciência do grupo. Essa consciência vela para que numa família todos se submetam a determinadas ordens que são importantes para a sua sobrevivência e união. Em primeiro lugar, o que faz parte dessas ordens, é que cada um que pertence tem o mesmo direito de pertencer. Contudo, sob a influência da consciência que sentimos, algumas vezes excluímos algumas pessoas da família. Por exemplo, aqueles que pensamos que são maus, também aqueles dos quais temos medo. Nós os excluímos porque pensamos que sejam perigosos para nós. Contudo, através dessa outra consciência oculta, aquilo que fazemos de boa consciência, seguindo a consciência que sentimos, será condenado. Pois esta outra consciência não tolera que alguém seja excluído. Entretanto, se isso acontecer, alguém será posteriormente condenado, sob a influência dessa consciência oculta, a imitar e representar um excluído em sua vida, sem que tenha consciência disso. Denomino essa ligação inconsciente com uma pessoa excluída de “emaranhamento”. Por isso, podemos entender que muitos filhos, os quais pensamos que estão se comportando de forma estranha ou estariam em perigo de se suicidar, ou se tornam drogaditos ou não importa o que seja, estão conectados com uma pessoa excluída. Estão emaranhados com essa pessoa. Por isso só podemos ajudá-los se eles e outras pessoas na família tiverem em seu campo de visão essa pessoa excluída, colocando-a novamente na família e no próprio coração. Depois disso, os filhos estarão liberados do emaranhamento. Para ajudar esse tipo de filhos, outros membros familiares que até então ignoraram essas pessoas precisam finalmente olhar para elas. E aqueles com os quais estavam zangadas ou rejeitaram precisam se dedicar a elas com amor e acolhê-las novamente na família. Esse é o pano de fundo para muitas dificuldades que as crianças têm, e também a preocupação que algumas vezes seus pais têm por elas.

4. O amor cego

Contudo, existe para essa consciência oculta ainda uma outra lei. Essa lei também traz dificuldades às crianças. Essa lei exige que aqueles que pertenceram antes à família, tenham precedência em relação àqueles que vieram mais tarde. Portanto, existe entre os membros anteriores e os posteriores uma hierarquia. Essa hierarquia precisa ser obedecida. Contudo, muitas crianças tomam a liberdade de assumir algo pelos pais para ajudá-los. Com isso transgridem a hierarquia. Então a criança diz para a mãe ou pra o pai, sob a influência dessa consciência, frases internas, tais como: ”Eu assumo isso por você.” “Eu expio por você.” “Vou adoecer em seu lugar.” “Vou morrer em seu lugar.” Tudo isso acontece por amor, mas por um amor cego. Esse amor cego leva às drogas ou ao perigo de vida e comportamentos agressivos. Entretanto, estes tipos de comportamento e esses perigos têm a ver com a tentativa de assumir algo pelos pais. Essa ordem é violada e ferida dessa forma.

5. A ordem

Quando ficamos sabendo dessa ordem, podemos restabelecê-la novamente. Isso significa, por exemplo: os pais assumem as conseqüências de seu próprio comportamento, de seu próprio emaranhamento e os carregam sozinhos. Então a criança estará livre. Ela não precisa assumir nada daquilo que é da alçada dos outros. Contudo, a transgressão da ordem de origem é castigada duramente por essa consciência oculta. Toda criança que tenta assumir algo pelos pais ou por outros que vieram antes dela, fracassa. Nenhuma tentativa de assumir algo pelos pais tem sucesso. Está sempre fadada ao fracasso e, na verdade, para todos os envolvidos. Nós precisamos saber disso. Por isso, ajudamos as crianças a se soltarem dessa intromissão. Ao invés de olhar para as crianças, olhamos primeiro para os pais e deixamos que eles mesmos resolvam os problemas. Se os pais resolverem isso, os filhos se sentem livres. Eles ficam novamente tranquilos e se sentem acolhidos. Portanto, estas são duas leis básicas que devemos ter no nosso campo de visão e estar em acordo interno quando se quer ajudar crianças difíceis.

Transtorno Bipolar na visão da constelação familiar



O transtorno Bipolar é um transtorno caracterizado por dois ou mais episódios de alteração do humor onde o nível de atividade do sujeito está profundamente perturbado, sendo que este distúrbio consiste em algumas ocasiões de uma elevação patológica do humor e aumento da energia e da atividade (hipomania ou mania) e em outras, de um rebaixamento patológico do humor e de redução da energia e da atividade (depressão). 

Para Bert Hellinger o  distúrbio bipolar é uma doença sistêmica ou seja, encontra-se no campo familiar do paciente. O bipolar identifica-se com alguma caso muito grave de assassinato,morte, tragédia acontecidos em sua família. A questão é que o Bipolar identifica-se  tanto com a vítima  quanto com o agressor. Adota os sentimentos tanto do inocente como do agressor e ambos ficam conectados em seu ser. Apesar das duas consciências estarem conectadas não significa que elas estão conciliadas. É daí que surge o conflito, e  este conflito fica "vibrando" com duas consciências opostas, que não são suas. Então passam a ser 3 consciência em uma única pessoa. 

É difícil uma pessoa suportar essas  consciências, e quem chega a esse limite, podemos considerar "trifásico". São os casos mais graves de bipolaridades. Num dos polos ou das fases há uma tendência ao suicida, que as constelações podem auxiliar, desde que o cliente se entregue e queira se curar.

Fonte: claudiane tavares

Casamento e constelação sistêmica


- Sabe o que é?
- Não.
- Na realidade, meu marido não presta. Quase não traz dinheiro, vive enfurnado na saia de alguma sem-vergonha.
- Mas você veio trabalhar ele ou você?
- Eu quero uma solução para mim.
- E o que você tem feito para solucionar? Pediu a separação?
- Não, eu não quero isso. Sabe, os filhos... E na verdade, eu queria que ele voltasse a ser o homem que era, quando começamos.
- E como ele era?
- Ah, bem diferente! Trabalhava muito, era responsável, chegava cedo em casa. Um exemplo!
- E quando isso mudou? Aconteceu alguma coisa na vida de vocês?
- Não, nada de mais. Tivemos os filhos, primeiro o Carlos, depois a Clarice, e ele foi mudando.
- Aconteceu algum fato marcante? Alguma morte de alguém próximo, uma doença grave, um acidente, uma amante dele ou de você...
- Não, o que é isso! Nós éramos muito felizes, sim! Até o aborto, nós éramos inseparáveis!
- Ahhh....

Esta cliente é um exemplo muito comum em casos de constelação. É muito comum um acontecimento que simboliza o início da desestrutura do relacionamento, como foi o aborto. Não foi o que ela falou que fez chegar a conclusão que o aborto provocou a mudança de comportamento no marido. Em constelação, não existem causas. Os acontecimentos são somente fatos que sinalizam uma tendência. No caso, o aborto sinalizou a tendência que o marido tinha de isolar-se da família. Esta tendência já fazia parte do sistema familiar dele. Fizemos a constelação com a cliente, e muitas outras tendências foram verificadas, a ponto dela perceber que, ao mesmo tempo em que o marido ia se afastando do casamento e perdendo a responsabilidade pela família, ela ia assumindo a responsabilidade e tratando o marido mais como um filho problemático do que um marido. Num casamento, as tendências se completam, e se esta tendência está baseada no sofrer, tanto um quanto outro irão sofrer.

O foco desta cliente estava preso em outro sistema (da família dela) que a fazia também sentir-se mal amada e rejeitada, não importando o que o marido fizesse. Ambos sofriam, e neste contexto, não existe a menor possibilidade de voltar a felicidade. Um dos pilares do equilíbrio sistêmico que mantém um casamento coeso e de crescimento mútuo é o equilíbrio entre o dar e receber. Tanto o marido, como a mulher, necessitam de dar e receber, em todos os sentidos. Sexual, carinho, responsabilidade, comprometimento, broncas... Quando um dos dois dá, imediatamente quem recebeu se torna devedor, e sente a necessidade de devolver. Esta troca de posições entre dar e receber é saudável e natural. Porém, quando existe uma identificação muito grande com o sistema familiar anterior ao casamento, e este sistema provoca um desvio de foco de um dos parceiros, este recebe, mas não está em condição de devolver. E aí o outro dá mais, e este fica mais e mais devedor. A ruptura do casamento é evidente. Para quem não conhece a teoria sistêmica, dizer que um parceiro se identifica com o sistema familiar seu, anterior ao casamento, significa que ele se identifica com uma dor, um abandono, uma sensação de exclusão que ele nem fez parte, presencialmente falando. Pode ser uma segunda família que o pai teve, e ele nem soube, ou um primeiro amor que a mãe teve, e acabou de forma abrupta e tempestuosa, sobrando mágoa para todo o lado... Não importa o fato, e isto é importante ficar claro. Os fatos, dentro de uma constelação sistêmica familiar só servem para sinalizar em qual direção o sistema está empurrando a pessoa. Para dentro do relacionamento ou para fora.

Ao identificar, tomar ciência, aceitar plenamente este sistema, o efeito negativo dele perde a força, e possibilita um reencontro muito mais completo entre pessoas que antes não se entendiam, porque, na realidade, não se conheciam. Quando alguém estabelece relacionamento com outro, automaticamente estabelece relacionamento com o sistema familiar do outro. São dois sistemas que se encontram e interagem, e por isso é tão belo o trabalho com constelação, quando percebemos o entendimento e a aceitação mútua, num casamento. O marido olha para o passado e antepassados da esposa, todas as relações ocorridas e a emoções envolvidas, pessoas excluídas e incluídas, e acolhe tudo como também sendo dele. E a esposa também procede da mesma maneira. Não são duas pessoas se reconciliando. São dois sistemas se transformando em um, que dará continuidade nos filhos deste casal. Harmonia entre casal significa harmonia entre sistema.

 alex possato