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Hierarquia do amor na família



O fruto do amor entre um homem e uma mulher são os seus filhos. Há também uma ordem escondida que suporta o amor entre filhos, a sua ordem na hierarquia familiar. A hierarquia familiar segue o fluxo do tempo, isto é, aqueles que estavam lá primeiro vieram antes daqueles que vêm mais tarde. Numa família, os pais já lá estavam antes dos filhos. O seu amor de um pelo outro enquanto homem e mulher, fundaram a família, e vem antes do seu amor para com os seus filhos, como pais. Em algumas famílias, as crianças atraem a total atenção de ambos os pais. Em tais famílias, os pais já não são principalmente um casal, mas sim fundamentalmente pais, e os seus filhos geralmente sofrem com isso. Quando o amor dos pais um pelo outro, como homem e mulher, mantém a sua prioridade, os filhos geralmente sentem-se muito confortáveis e satisfeitos. Em famílias assim, o pai está implicitamente a comunicar aos seus filhos, "eu vejo-te como és, mas também vejo a tua mãe em ti; e em ti, eu amo-a e respeito-a mais do que sempre." E a mãe comunica aos filhos, "eu vejo-te como és; mas ver-te lembra-me o quanto eu amo e respeito o teu pai, porque eu vejo-o em ti também." E os pais comunicam um ao outro, "quando vejo os nossos filhos, amo-te e respeito-te ainda mais." Então o amor dos pais para com os seus filhos é uma continuação do seu amor como um casal, mas o amor de um para o outro dos pais mantém a sua precedência, e os filhos sentem-se livres.

Muitas famílias hoje são segundas ou terceiras famílias. Por exemplo, quando o homem e a mulher tiveram relacionamentos anteriores e trazem filhos para o novo relacionamento. Qual é a ordem de prioridade então? Os pais foram pais dos seus filhos antes de formarem um casal. O amor para com os seus filhos não foi uma continuação do seu amor um pelo outro, como homem e mulher, porque eram pais antes de serem um casal. Nestas situações, os novos parceiros devem reconhecer que o amor aos filhos veio antes do amor pelo novo parceiro e que o grande amor e a maior dedicação tendem a fluir para os filhos - e naturalmente nas crianças, para o anterior parceiro também. Somente então, na extremidade da corrente, flui o amor e dedicação para o novo parceiro. Se ambos os parceiros aceitarem esta hierarquia do amor, então o seu amor pode florescer. Mas quando um dos parceiros do novo casal diz ao outro, "eu quero vir em primeiro lugar, antes de seus filhos", então o novo amor fica em perigo e não resistirá por muito tempo.

Quando um casal traz filhos para o seu novo relacionamento e tem depois filhos juntos, a sequência é que primeiro eram pais dos filhos originais, depois um casal, então pais dos seus próprios filhos. Os casais que respeitam esta sequência natural de tempo e a sua relevância para os seus relacionamentos podem evitar e resolver o grande desafio dos conflitos nas parcerias. Assim, eu esbocei momentaneamente algumas das ordens mais importantes do amor que nós observamos operando nos relacionamentos entre homens e mulheres. De passagem, pode ser útil dizer que há também ordens do amor para casais sem filhos, incluindo casais homossexuais. Concluindo, quero contar-lhes uma história sobre o amor. Chama-se Duas Boas Sortes.

Constelação Familiar de Bert Hellinger



 A Constelação Familiar é uma abordagem terapêutica criada pelo alemão Bert Hellinger a partir de muitos anos de observação de fenômenos que ocorriam em grupos terapêuticos que ele coordenava. A prática gerou a teoria, e não o inverso. O trabalho não se baseia em teorias psicológicas previamente estabelecidas. Trata-se de uma prática fenomenológica, e sua fundamentação é principalmente antropológica, filosófica e humanística. A base conceitual desta abordagem pode ser resumida assim: Além do inconsciente individual (Freud) e do inconsciente coletivo (Jung) existe também segundo Hellinger, um inconsciente familiar compartilhado pelos membros de uma mesma família e que se transmite às gerações seguintes, e que é estruturado a partir de todos os acontecimentos que compõem a história da família (nascimentos, mortes, uniões, separações, rejeições e exclusões, sucessos, fracassos, padrões de conduta, etc...). Este inconsciente familiar influencia de forma intensa alguns membros da família afetando significativamente suas vidas. Estes membros ficam de alguma forma identificados ou "emaranhados" a outros membros da família, freqüentemente de gerações anteriores, que  foram ¨excluídos¨ ou que tiveram um percurso de vida sofrido ou um “destino” infeliz (a palavra destino tem um significado próprio na teoria de Hellinger, que não daria para explicar aqui em poucas palavras). Algumas vezes o membro emaranhado nem sequer tem conhecimento consciente do episódio de exclusão que ocorreu com os seus familiares . Porém ele capta estas informações do inconsciente familiar e retoma/revive o “destino” desta pessoa, ou tenta compensar ou fazer o que outro familiar “deveria” ter feito. Pode acontecer ainda que ao perceber que um dos pais está emaranhado e tenta repetir o destino de alguém, um filho decide inconscientemente tomar para si esta “missão reparadora“ equivocada e, por exemplo, ele adoece ou fracassa ou deprime no lugar de seu pai ou mãe. A observação empírica destes fenômenos permitiu que fossem descobertas algumas regras ou ordens naturais que regem o inconsciente familiar e que se forem restauradas garantem o bem estar e a harmonia dos membros da família. Exemplos de algumas destas ordens: o direito à pertinência (ver reconhecido o seu lugar naquele grupo), o resgate dos impulsos primários interrompidos, a força dos laços de sangue, a ordem de precedência entre as gerações, o direito a seguir as próprias escolhas , a reverência aos mortos, o equilíbrio entre o dar e o receber, e outros. 

Ernani Eduardo Trotta  (crp 05/12184) é Psicoterapeuta, coordenador do Curso de Formação do “Núcleo de Psicoterapia Reichiana/RJ” e terapeuta em Constelações Familiares formado por Peter Spelter (Instituto de Filosofia Prática da Alemanha)

Conflito entre alunos – uma abordagem seguindo as leis do amor


Relato do caso

O relato abaixo foi extraído da prática de uma amiga que tendo trabalhado há anos em escolas no ensino fundamental foi apresentada ao trabalho de constelações em 2005 através de nosso instituto. Baseado nas leis do amor descritas por Bert Hellinger essa amiga, que atuava como orientadora em uma escola, viu-se um dia frente a uma situação corriqueira: duas alunas do 1º ano brigaram e uma delas bateu na outra. Foi um tapa que a primeira (aqui vou chamá-la de Ana) deu na segunda (aqui vou chamá-la de Camila), e as duas foram levadas à orientadora. Seguiu-se a seguinte história:

Camila: Ela me bateu e doeu muito!
Orientadora (para Ana): Você agora pode ver que a Camila está chateada com você e com razão. Olhe para ela... Quando a gente bate nos outros é assim, tem conseqüências.
Ana: Mas ela falou algo comigo que eu não gostei...
Orientadora: Bem, só por causa disso você não tem o direito de bater nela. Veja: agora ela está muito chateada com você. Você quer isso?
Ana: Não! Eu gosto de brincar com a Camila.
Orientadora: Bem, Camila, você pode ir. A Ana ainda vai ficar aqui comigo.
(Após a saída da Camila)
Orientadora: Sabe, entre duas pessoas sempre existe uma troca. Você dá uma coisa boa e recebe outra. Você dá uma coisa ruim e recebe outra. Você agora tem que pagar pelo que fez à Camila se deseja realmente que as coisas entre vocês duas fiquem bem de novo.
Ana: Tia, mas eu não tenho dinheiro!
Orientadora (rindo): Não se trata de dinheiro, a gente paga de muitos modos... Você logo logo vai compreender. Me procure mais tarde...

Mais tarde Ana procura espontaneamente a orientadora.
Ana: Tia, a Camila não quer mais brincar comigo. Eu pedi a ela, mas ela disse que não queria mais brincar comigo. (Começa a chorar baixinho).
Orientadora: É claro! Lembra o que eu lhe disse antes? Ficar sem brincar com ela é parte do “preço” que você tem que pagar por ter batido nela...
Ana: (Chorando baixinho) Mas eu gosto dela... tia, é minha melhor amiga...
Orientadora: Ok. Amanhã poderemos resolver isso. Vá para casa, sua mamãe está te esperando...

No outro dia, a orientadora chama as duas para uma nova conversa. Coloca-as frente a frente novamente, de forma que ambas possam ver uma a outra.
Orientadora: Ana e Camila, vocês sempre brincaram juntas, e ontem vocês brigaram, sendo que a Ana bateu em você Camila. Mas ela me procurou ontem ainda e me disse que estava sentindo falta de voltar a brincar com você, Camila. Você tem algo a dizer Ana?
Ana: Sim, tia. (Para Camila) Eu sinto muito que eu bati em você. Eu queria voltar a brincar com você.
Camila: Eu estava com raiva, mas agora eu estou bem. Agora eu quero brincar com você de novo. Eu também sinto muito que eu xinguei você.
Orientadora: Certo! Vão brincar então!

Comentário

Habitualmente quando há um conflito na escola a estratégia muitas vezes do orientador é buscar a reconciliação através do “perdão” e do “pedido de desculpas”. Quando olhamos para essas tentativas à luz das leis do amor que Hellinger descobriu, percebemos que essa abordagem viola o equilíbrio no dar e tomar. O agredido é quase que obrigado a “perdoar” o agressor, e com isso sofre o dano e ainda tem que arcar quase sozinho com as conseqüências. Ele então fica com raiva. Na superfície talvez “perdoe” mas na realidade não. O conflito persiste, e o que é ainda pior, subjacente. O agredido permanece com um desejo secreto de vingança. Também o agressor é “humilhado”, pois não pode se manter “igual”. É de certa forma como que forçado a se “diminuir” perante o agredido. Hellinger mostra que num conflito assim o agressor tem não apenas o dever de reparar, mas o direito de fazê-lo e o agredido tem não só o direito de exigir reparação mas o dever de fazê-lo, a bem da reconciliação. Porém se o agressor não quer, não pode ou não sabe como reparar, por exemplo fazendo algo bom ao agredido, então é adequado que o agredido “dê um troco” um pouco menor do que aquilo que lhe foi feito, a fim de restabelecer o equilíbrio no dar e tomar. Aqui nesse exemplo fica claro como a agredida deu um “troco” um pouco menor ao se recusar a brincar com a “agressora”. E como isso abriu as portas para uma rápida reconciliação. A orientadora ao mostrar à parte agressora as conseqüências de seus atos e permitir que ela arcasse com as conseqüências não tentou forçar uma reconciliação antes da hora, mas permitiu que as leis do amor atuassem por si, o que resultou uma solução “natural” e simples.

Esse é um relato que acredito ser útil a milhares de educadores no Brasil que estejam desejosos de aplicar os princípios da pedagogia sistêmica segundo Bert Hellinger no âmbito de suas escolas. Observem que não houve a necessidade de procedimentos complicados e nem mesmo a execução formal de uma constelação familiar para que a solução fosse atingida, o que mostra a simplicidade dos princípios da abordagem sistêmica fenomenológica desenvolvida por Bert Hellinger.

Escrito por Décio Fábio de Oliveira Júnior   

PEDAGOGIA SISTÊMICA


O sistema de educação, o sistema familiar e o sistema social encontram-se em constante interação na sala de aula. Pedagogia Sistêmica vem de encontro com a necessidade de gerar e fortalecer o vínculo entre os professores e os alunos incluindo o sistema familiar de origem. Atende todos os sistemas, sua interação e o lugar de cada um dos elementos do sistema para uma maior funcionalidade. A Pedagogia Sistêmica promove a aprendizagem dos alunos mediante o trabalho conjunto com os pais de família, para educar de maneira conjunta escola e família.

A Educação Sistêmica contribui em vários níveis:
- Na escola como organização: favorece a cooperação entre supervisores, diretores, consultores, professores, alunos e famílias.
- Na escola como entidade educadora: enriquece as atividades de aprendizagem. Quando os conteúdos educacionais introduzem elementos familiares e sistêmicos, aprende-se mais facilmente.
- Na escola como âmbito democrático de convivência: potencializa a inclusão, a resolução de conflitos e a participação na comunidade.
 - Na escola como motor de melhoria contínua e aperfeiçoamento dos professores.
- Na escola e na família como fator de mudança na postura de profissionais na área do ensino, pais e alunos, a partir da aplicação das Leis Sistêmicas Básicas.
- Tem sido utilizada hoje como um dos principais instrumentos de apoio à aprendizagem e administração de escolas na Europa e México.
- Nos órgãos públicos de atendimento à criança e ao adolescente auxiliando na reintegração dos mesmos na família, na escola e na sociedade.

Fundamentos conceituais da Pedagogia Sistêmica:
a) Constelações familiares
b) Fenomenologia
c) Teoria de Sistemas
d) Terapia familiar sistêmica
e) Construtivismo

Problemas que soluciona:
a) baixo rendimento escolar
b) falta de atenção na aula
c) disciplina na sala de aula
d) comunicação com o docente
e) integração familiar
f) formação axiológica
g) estruturação da jornada escolar
h) integração do grupo
i) formação docente
j) outros

www.espacopsi.com

Vivendo a vida de outra pessoa.......



Quantas vezes já pensamos que a vida que vivemos não é a nossa vida, que nos sentimos em uma prisão, fiéis a um destino que não nos pertence? Muitas vezes somos vítimas involuntárias de sentimentos negativos ou sufocados pela culpa, sem entender o motivo. Imobilizados, condicionados por uma liberdade limitada, incapazes de voar, sem uma razão definida. Mas você não pode ter asas, se você não "sentir" as suas raízes. Uma árvore consegue alcançar o céu somente se possui raízes fortes. A psicologia, a filosofia oriental e tudo o que estuda e analisa o comportamento e o estado da alma humana, convergem para uma única direção: a consciência. Uma simples palavra que encarna percursos possíveis, o desejo de enfrentar suas limitações e a coragem para ver e observar a si mesmo, construir um diálogo interno, para reconhecer suas próprias origens. De fato, parece que existe uma crença compartilhada de que há uma matriz, um DNA emocional que nos liga aos nossos antepassados. A sociedade contemporânea nos condiciona a uma visão "descartável" da vida e da morte, não reconhecendo o valor daqueles que nos precederam.

O alemão psicoterapeuta Bert Hellinger, analisou com profundo conhecimento de dinâmica de grupo, após anos de estudo e experiência, desenvolveu uma teoria fascinante, compartilhada por médicos e terapeutas de todo o mundo: Constelações Familiares (também chamada de representações sistêmicas). É uma técnica que nos permite identificar tendências que nos são desconhecidas, eventos traumáticos, físicos e mentais, que se repetem de geração em geração e que podem encontrar a causa em conflitos sérios e não resolvidas nas gerações precedentes. Para entender o significado desta técnica é importante ter uma perspectiva sistêmica. Num sistema, o indivíduo não é importante em si, mas sim como uma função de algo maior. De acordo com Hellinger, cada grupo é um "sistema", que fornece as chamadas ordens de pertencimento, deixando claro a todos os membros o que é "saudável" ou "correto" e o que não é. O conceito de "ordem" nos obriga a olhar o aspecto "cronológico" (do mais velho) e a um aspecto de disposição, legítima ou correta, dos membros do sistema familiar. Hellinger afirma que todos devem assumir total responsabilidade por aquilo que fazem: as implicações de ações insanas e não são assumidas, cairão sobre todo o sistema.

Sem ter consciência os descendentes estão ligados por uma espécie de vínculo orgânico\emocional a todos os antepassados membros da família, mesmo àqueles que não conheceram, e em virtude de tal vínculo podem, em alguns casos, estar "emaranhados", ou seja, assumir, por amor, aquele destino. Muitas vezes, um erro cometido, um segredo, exclusão ou o não reconhecimento, sofrido por um membro da família, pode encontrar a sua compensação através de um sucessor, que reintegrará aquele membro no sistema familiar, e para que isso ocorra, o descendente “emaranhado” também pode “reviver” seus sintomas físicos, insucessos nos relacionamentos ou na profissão; perdendo dinheiro ou até mesmo sua vida.

Guerra, crianças não nascidas, suicídios e filhos não reconhecidos, são eventos que causaram muito sofrimento (gerando emaranhamentos), e esse sentimento é transmitido para as crianças, com consequências muitas vezes graves. Uma criança, quando nasce, é totalmente dependente de seus pais e, em especial a sua mãe, a união simbiótica. Para Hellinger, se durante a gravidez, parto ou nos primeiros dois anos de vida, acontecer um evento traumático, uma separação entre mãe e filho, cria o que ele chama de movimento interrompido. Aqueles que sofreram esse choque geralmente desenvolvem um padrão de comportamento que faz com que procurem obter o que tanto desejam, mas ao mesmo tempo, evitarão qualquer possibilidade de sucesso. Essas pessoas desenvolvem um perfeito e sádico mecanismo de autossabotagem impedindo a própria felicidade no amor e/ou prosperidade econômica. Isso explica muitas dinâmicas ligadas a sentimentos impossíveis!

Os pais ("são grandes") dão aos seus filhos ("são pequenos") na vida, e isso deveria ser suficiente, para que os filhos os respeitassem. Qualquer julgamento negativo de um filho aos seus pais, de acordo com Hellinger, colocaria o filho numa posição de superioridade, e desta forma, numa posição incorreta no sistema para com aquele que é "grande". Algumas vezes, os filhos ficam do lado de um dos pais, carregando por amor, o peso da responsabilidade de pais, desempenhando até mesmo o papel de amigos e confidentes: uma desarmonia que leva inevitavelmente ao conflito e a infelicidade. A solução é restituir aos pais as suas responsabilidades ou seus pesos, sem julgamento e sem raiva, agradecendo-os profundamente, só assim você pode ter uma boa qualidade de vida.
Através de uma espécie de representação do "teatro da Constelação", este processo pode ser trazido à luz e a pessoa se torna consciente do emaranhamento. O nó desata, mudando assim o esquema em que a pessoa foi incorporada, percebendo que seu próprio sacrifício não trará qualquer beneficio. Depois de encenar a sua própria constelação e restabelecer o seu papel no sistema, nos meses seguintes as relações tendem a mudar. O amor infantil, através de representações, se transforma numa forma adulta e mais consciente, que nos torna livres e "não dependentes" e, desta forma, indivíduos adultos, com uma vida mais fácil e serena.

Si trata de dinâmicas difíceis de explicar se contamos somente com a racionalidade do método científico. Alguns comparam o campo de influência da família ao "campo morfogenético", um termo elaborado pelo biólogo britânico Sheldrake, mas Hellinger prefere se referir à consciência coletiva inconsciente da tradição hinduísta. Certamente, a força deste trabalho reside no efeito que produz em um nível inconsciente, inclusive por meio das frases de cura, que restituem a cada um o seu lugar de direito no sistema familiar. Por esta razão, é importante que o paciente procure e confie um terapeuta/constelador, para o ajude a absorver emocionalmente a nova situação que emergiu. Os velhos padrões, como os velhos hábitos, são difíceis de morrer, mas morrem!

Simona Di Bella

O aborto e o sistema familiar



Um bebê abortado faz parte do sistema de uma família e fará parte para sempre, mesmo que a mãe tenha escondido a morte dessa criança. Na prática da terapia de Constelações Familiares se constatou que é necessário equilibrar o sistema e garantir a sua sobrevivência e a de seus membros. Para que isso ocorra, todas as ordens do sistema de família existentes devem ser respeitadas. Essas estruturas fixas são chamadas por Bert Hellinger, de "Ordens do Amor e Vida". Essa ordem provém da estrutura familiar arcaica e é tão poderosa que dirige e determina os destinos e influencia de forma decisiva a vida de todos os membros.

No sistema familiar existe um sentido de ordem e equilíbrio, chamado a consciência do clã, portanto, qualquer sofrimento feito a um antepassado deve ser compensado por um descendente. Esta consciência se encarrega de equilibrar o sistema, exigindo a inclusão no grupo dos membros excluídos e esquecidos pelas nossas almas. A consciência do clã não desiste até que seja restaurada a ordem no campo energético familiar e a dignidade do excluído em nossos corações.

Como exemplo podemos citar a psicose, a esquizofrenia ou a bipolaridade. Um bebê abortado é um membro excluído da família e a consciência do clã buscará a compensação desse assassinato. Quando existe na família um membro psicótico, observa-se sempre na Constelação que houve um aborto ou um assassinato na linhagem dos ancestrais da família do pai ou da mãe. Sempre encontramos um agressor e sempre existe a vítima. O irmão do bebê abortado pode desenvolver psicose, apresentando os sintomas de ambos os papéis alternadamente – mostrando que a paz não foi selada nas gerações anteriores. O distúrbio pode passar de geração em geração. Nos grupos de constelação “o agressor” e a “vítima” demonstram desagrado com a vingança desejada por ambas as famílias. Mas os descendentes do bebê abortado não encontrarão paz enquanto sua alma não for incluída e respeitada. A solução e o alívio acontecem quando a vítima e o agressor são respeitados e, dessa forma, liberando as famílias do peso da vingança. Equilibrando o campo com amor e respeito à vida humana!

Referências: Hellinger, Bert “O amor do espírito” Editora Atman 

O câncer na constelação familiar



Com pacientes de câncer, muitas vezes podemos ver que querem morrer. Dizem que querem lutar contra o cancro, mas profundamente, bem no íntimo, eles querem morrer. Uma dinâmica muito comum que vi com mulheres, foi que elas estavam em guerra com as mães. Consequentemente, em geral, se eu tivesse que fazer uma constelação com uma mulher que tivesse câncer no seio, eu a colocaria em frente à sua mãe. Recentemente, nós tivemos uma constelação onde fizemos isso. A mulher que tinha câncer ajoelhou-se na frente da sua mãe, e a mãe não a viu. Passou pela sua filha e olhou mais para frente, olhou para o chão. Numa constelação familiar, se alguém olhar para o chão, quer dizer que está olhando para uma pessoa morta. Assim eu selecionei um representante e deixei-o colocar-se por trás da filha, em frente da mãe. Ele fechou as mãos com força. Então eu perguntei à mulher doente: "O que aconteceu na família?" Ela disse que o irmão da sua mãe tinha assassinado a sua amante. Da constelação poderíamos concluir que a sua mãe soube disso e certamente o tinha consentido. Agora o que acontece no íntimo de uma pessoa como aquela? Sente-se culpada, e sabe, dentro do seu coração, ela também ganhou com a morte. Mas então, a filha diz no seu coração, "Eu morro no teu lugar." Por isso é que desenvolveu o câncer. Este era o segredo profundo da sua doença.

Mas voltando ao exemplo das mulheres e das suas mães. Muito frequentemente eu faço um exercício muito simples. Digo-lhes que devem ajoelhar-se na frente da sua mãe e curvar-se até o chão em respeito para com elas. Muitas mulheres que têm câncer no seio não conseguem fazer isto. Há uma resistência tão forte para honrar a própria mãe que se torna evidente, que é mais fácil morrer do que honrar a mãe. Naturalmente, você não pode dizer que cada mulher que tem câncer no seio tem dificuldades com a sua mãe. Isto é errado. Mas há muitos casos onde eu vi isso. Cito outro exemplo. Uma vez fiz um seminário somente para pacientes de câncer, e trabalhei com uma mulher que não se concentrou e eu tive de parar a constelação. Em consequência, ficou zangada comigo, mas muito frequentemente, quando eu paro uma constelação, é uma intervenção terapêutica. No dia seguinte, ela estava completamente mudada e disse que tinha algo a relatar. Ela tinha recordado que, imediatamente depois de ter sido operada ao seio, quando estava justamente acordando da anestesia, a sua filha lhe disse, "Mãe, ouvi duas crianças chorando lá na nossa casa." Ela tinha trazido duas bonecas e colocou-as no ombro da sua mãe dizendo, "Eu te trago estas duas crianças." A mulher soube imediatamente quem elas eram. Tinha abortado duas crianças. Então nós pudemos fazer a sua constelação. Agora ela podia olhar estas crianças e dar-lhes um lugar no seu coração. Alguns anos mais tarde, encontrei ela outra vez e disse-me, "Estou me sentindo muito bem."

Bert Hellinger

A Teoria da Predominância Hemisférica



Uma grande quantidade de pesquisas têm sido realizadas ao longo de décadas sobre o que foi denominada a teoria da Predominância Hemisférica. Os resultados desta pesquisa mostram que cada hemisfério do cérebro tende a se especializar e dirigir diferentes funções, administrar também diferentes tipos de informação e estar ligado a diferentes tipos de problemas.

Hemisfério ESQUERDO                                     
Usa a lógica, a razão            
Pensa utilizando palavras
Raciocina dividindo em partes, especifica
Analisa, divide ° Sintetiza, reúne 
Pensa em modo sequencial
Identifica-se como indivíduo
É ordeiro, controlado 

Hemisfério DIREITO
Usa as emoções, as intuições, criatividade
Pensa utilizando imagens
Pensa na totalidade, relaciona
Sintetiza, reúne
Pensa em modo simultâneo, holístico
Identifica-se como grupo
É espontâneo, livre

Embora seja nosso direito de nascença ter a habilidade natural de usar simultaneamente ambos os lados do cérebro, as experiências da vida muitas vezes fazem emergir uma parte dominante, tendo em conta situações específicas. Quanto mais a experiência (geralmente traumática) for carregada do ponto de vista emocional, mais facilmente será armazenada para ser usada como referência e mais facilmente nos identificaremos de modo automático com apenas um hemisfério do cérebro quando depararmos com experiências de vida semelhantes no futuro. 

Fonte: Psych-k.com

A DOR DOS EXCLUÍDOS


O argumento que mais tocou o meu coração desde que iniciei os estudos sobre Constelações Familiares foi sobre a dor dos excluídos. O enorme desequilíbrio que desencadeia ondas de dor chega a durar séculos num sistema familiar é justamente a exclusão de um membro. Quando nascemos, a nossa mãe nos dá a vida e com ela o nosso “campo” energético ou familiar. Por toda a nossa vida, será nessa “frequência” que viveremos, sentiremos e agiremos. Esse campo vibra em ressonância com os campos de todos os pertencentes a família de origem. Então, excluir, desprezar, desconsiderar, negar a existência de um dos seus membros da família é um ato gravíssimo que ressoa em todo os participantes daquela constelação, atingindo os campos dos envolvidos de forma inexorável e trágica. A exclusão tem um raio de ação devastador nas vidas dos membros que nem conhecem o fato. E esse é um dado importante: muitas pessoas são afetadas pela exclusão de um antepassado que nem conheceram o nome ou a existência.

Se a exclusão é de um irmão ou irmã que o pai ou a mãe tiveram fora do casamento e esconderam o fato por anos, causando dor e sofrimento na criança negada, o impacto será enorme. Nas constelações observa-se que nesses casos um irmão se afasta da família (com o seu afastamento a alma honra a irmã excluída) ou entra em conflito com o genitor que a excluiu. Em outros casos, vários membros de uma família que excluiu um parente emigram para países de outros continentes, sem ter consciência que aquele ato é uma enorme demonstração de amor para com o excluído. Essas pessoas que se sentiram impelidas a viver muito longe de sua família de origem não conseguem sentir alegria e prazer na cidade onde seus familiares também residem. Forças invisíveis os guiam para muito longe, para compensar a dor e o sofrimento daquele que um dia foi mantido longe dos corações dos demais membros da família. Sua alma é impelida a honrar a dor do excluído.

Noutros casos a lealdade entre as almas das irmãs e irmãos se estende ainda mais, fazendo com que uma irmã não gere filhos enquanto a outra excluída não encontra o seu lugar no sistema familiar. A lealdade invisível entre as almas dos irmãos é enorme e eles abrem mão da própria felicidade para que no sistema seja compensada a dor do outro irmão.

Tania Rocha

Como Funciona o trabalho de Constelação Familiar

O trabalho de constelações pode ser feito em sessões individuais com bonecos palymobil/ figuras ou em grupo (workshops). O cliente apresenta o tema que pretende trabalhar. Pode ser uma doença, comportamentos ou sentimentos doentios, tendências suicidas, medos inexplicáveis, a vida bloqueada ou estagnada, sintomas inexplicáveis, ou qualquer questão que esteja a ser motivo de sofrimento.Se houver algum tema ou facto muito marcante que o cliente não queira partilhar no grupo é possível trabalhar de forma encoberta e com muita descrição. No caso de se tratar de um workshop, o cliente seleciona no grupo de participantes, pessoas para representar membros da sua família, segundo as indicações do facilitador. Por vezes se trabalha com a família de origem (pai, mãe e filhos) e por vezes com a família atual (marido, mulher e filhos). Cabe ao facilitador decidir por onde começar com as informações trazidas pelo cliente.Para fazer um trabalho de constelações não é preciso de muita informação. Depois de escolher os representantes o cliente irá colocá-las umas em relação às outras, de acordo com a imagem interior, que aparecerá na mente do cliente da relação entre os membros da sua família que serão por hora representados.
Começa então a constelação, onde cada representante estará em contacto com as informações inconscientes de cada elemento que está sendo representado. O facilitador fica numa postura de observação dos olhares dos representantes, das posturas, do corpo e das direcções para onde estão virados e as dinâmicas ocultas começam aparecer através de movimentos e sensações que são referenciadas pelos representantes. Pode-se perceber onde é que o amor na família deixou de fluir e existe o bloqueio.O que se pretende é restabelecer esse fluxo que será sanador e trará harmonia nos relacionamentos. O facilitador orienta a constelação, pedindo aos representantes para dizerem determinadas frases chave ou para se movimentar livremente ou irem a procura de um bom lugar, ou o do lugar correto na ordem familiar. Restabelecida a ordem na família e estando a energia do amor de novo a fluir, o cliente fica com essa imagem de solução e não precisa fazer nenhum comentário. É preciso deixar que o trabalho ganhe o seu espaço na alma da família. As Constelações Familiares é a oportunidade para constatar que "somos todos um só ser", e que fazemos parte de algo maior que nos orienta, protege e guia. Não obstante, o amor que emerge durante a constelação familiar é o mesmo amor que adoece e o que tem a sabedoria da solução quando se torna consciente.

"Penetrar as Ordens do Amor é sabedoria.
Segui-las com amor é humildade"
(Bert Hellinger)

Constelações Familiares

O trabalho chamado de Constelações Familiares foi criado por Bert Hellinger. Sua experiência de vida pessoal e profissional muito contribuíram para desenvolvimento do método. O trabalho mistura experiência, teoria e genialidade. Hellinger nasceu na Alemanha em 1925, formou-se em Filosofia, Teologia e Pedagogia. Como membro de uma ordem de missionários católicos, estudou, viveu e trabalhou durante 16 anos na África do Sul, dirigindo várias escolas de nível superior. Posteriormente, tornou-se Psicanalista e, por meio da Dinâmica de Grupos, da Terapia do Grito Primal, da Análise Transaccional e de diversos métodos terapêuticos, desenvolveu sua própria Terapia Sistémica e Familiar.

As Constelações Familiares permitem uma abordagem sobre como tornar visível a dinâmica normalmente oculta nos sistemas de relacionamento familiar. Fala-se franca e livremente sobre as observações acerca de algumas forças que actuam nos sistemas familiares e das controvérsias em que algumas delas se envolvem. Revela um formidável poder de abordagem nos problemas que afectam as famílias da nossa sociedade actual. Nascida de atitude terapêutica, e de uma observação particular, esta abordagem entra em contacto com níveis profundos sobre os vínculos familiares e a sua dissolução. Uma nova energia no modo de pensar é a oportunidade para deixar para trás alguns mal-entendidos e esclarecer o conceito de "emaranhado” e de “solução" permitindo que surja algo mais profundo que é o movimento da alma.

Contributos Teóricos
Hellinger deparou-se com um fenómeno curioso descortinado pela psicoterapeuta americana Virginia Satir nos anos 70 quando esta trabalhava com o seu método das “esculturas familiares”: que uma pessoa estranha convocada a representar um membro da família passa a se sentir exactamente como a pessoa a qual representa, às vezes reproduzindo de forma espantosamente exacta sintomas físicos da pessoa a qual representa, mesmo sem saber nada a respeito dela.

Esse fenómeno, ainda muito pouco compreendido e explicado, já havia sido descrito anteriormente por Levy Moreno, criador do psicodrama. Também algum trabalho teórico na busca de explicações por esse estranho fenómeno tem sido desenvolvido por um biólogo britânico chamado Rupert Sheldrake, o qual descreve tais fenómenos como "campos morfogenéticos". De posse de detalhadas observações sobre tal fenómeno e durante anos, Hellinger observou e colectou histórias, até que, baseado ainda na técnica descrita por Eric Berne e aprimorada por sua seguidora Fanita English de “análise de histórias” descobriu que muitos problemas, dificuldades e mesmo doenças de seus clientes estavam ligadas a destinos de membros anteriores de seu grupo familiar.