Doenças Mentais - um olhar sistêmico


As doenças mentais e transtornos psiquiátricos sempre foram cercados de grande mistério e apreensão. Na Antiguidade as pessoas que apresentavam distúrbios de ordem mental eram, muitas vezes vistas como iluminadas, enviadas com algum propósito grandioso. Já na Idade Média tais pessoas eram consideradas proscritas, castigadas por Deus ou até mesmo, endemoninhadas. Após a revolução industrial o louco é visto como alienado, passando a ser recluso em manicômios, onde práticas de toda espécie passam a ser empregadas experimentalmente com finalidade terapêutica. Com a evolução das pesquisas e estudos relacionados ao sistema familiar, os cientistas descobriram que as relações entre os membros e ocorrências trans geracionais poderiam fornecer indicações consistentes de como as pessoas desenvolvem muitos distúrbios mentais e de comportamento.
Estudiosos observaram correlação entre a forma como um surto psicótico ocorre e um tema significativo para família cujo membro manifestou os sintomas. Constata-se também que a pessoa que manifesta o surto, em geral, apresenta indícios de ser o mais sensível e inteligente dentre os irmãos de uma mesma família. Além disso, na visão sistêmica, esse membro se apresenta como bode expiatório para reparar um dano físico ou emocional cometido ou sofrido por antepassados e, até mesmo, envolvendo outras pessoas fora do sistema familiar. Nesse sentido é como se o indivíduo se apresentasse em sacrifício pela família. Por isso, é necessário olhar com muita consideração e respeito para essas pessoas, que muitas vezes acabam sendo excluídas não só da própria família como também da sociedade. Durante um dos nossos workshops realizamos uma constelação de um rapaz de seus 30 anos, cujo comportamento apresentava claros indícios de esquizofrenia com características de delírio paranoico.
Ao abrirmos seu sistema familiar encontramos a ocorrência do assassinato de uma pessoa por um membro de sua família. Ficou demonstrado pelos movimentos, que o rapaz ficara aprisionado entre a identificação com a vítima e, ao mesmo tempo, com o agressor. A necessidade de inclusão daquelas pessoas reconhecendo-as como membros do sistema familiar fora captada pelo rapaz que, ao cindir sua personalidade, denunciava a existência de dois lados antagônicos e possivelmente excluídos pela família. A constelação fora conduzida de forma a restabelecer o equilíbrio no sistema, promovendo a aproximação e harmonização entre os dois lados representados por agressor e vítima. Ao final do processo as pessoas foram harmonizadas e incluídas e quase que de imediato percebeu-se uma mudança na expressão e energia do rapaz. Em muitos outros processos terapêuticos com pessoas portadores de distúrbios mentais e psiquiátricos nos quais, após a Constelação notou-se a evidência de fatos relevantes e impactantes ao sistema familiar, bem como significativa melhora nos sintomas desses pacientes. Portanto, é preciso considerar além dos tratamentos tradicionais, a possibilidade de um trabalho terapêutico através da Constelação, pois além do nível orgânico estaremos também tratando a pessoa no nível sistêmico, possibilitando assim, um somatório de recursos para melhora do quadro mental do cliente.
LILIAN TESCAROLLI e FERNANDO GONÇALVES

Dicas sistêmicas para melhorar o relacionamento



1 – um parceiro deve reconhecer que o outro tem raízes diferentes. Deve respeitar e amar a família do outro, sinceramente, pois os problemas originam-se nas raízes.
2 – um parceiro deve cuidar das suas raízes. Só pode resolver os problemas que tem a ver consigo. Não tem nada a ver com o outro, nem deve cobrá-lo. Isso quer dizer: problema no casamento significa curar as próprias mágoas que se tem do papai e da mamãe.
3 – um homem e uma mulher tem o mesmo valor e validade. A família de cada um tem o mesmo valor e validade.
4 – um parceiro deve dar e receber na mesma medida. Se quer dar mais que receber, há crise. Se quer receber mais que dar, há crise.
5 – no amor familiar há uma hierarquia. O relacionamento do casal é o mais importante, depois, vem os filhos. Dar mais atenção aos filhos que ao relacionamento do casal, indica problemas sistêmicos que detonam em crise.
6 – os filhos são felizes quando os pais amam-se mutuamente. Cuidar dos filhos significa, em primeiro lugar, cuidar da boa relação entre o casal.
7 – quando se está em segundo ou terceiro casamento, o parceiro deve reconhecer que os filhos do outro na relação anterior tem prioridade. Deve reconhecer que a ex-esposa ou ex-marido tem prioridade. A segunda mulher será sempre a segunda. O segundo marido será sempre o segundo. Sistemicamente, é assim, e esse reconhecimento restabelece o equilíbrio.
8 – para os filhos, a madrasta ou padrasto estão sempre em segundo lugar, do que o pai ou a mãe biológica. E isso não importa se a relação com os progenitores é boa ou não. Padrasto é o segundo pai. Madrasta é a segunda mãe. Só isso.
9 – quando nasce um filho numa relação extra-conjugal, a relação original está acabada.
10 – o sistema familiar impele seus membros à procriar. Significa que os pais deram continuidade à vida. Num relacionamento sem filhos, não há como a vida ser transmitida para frente, e então, este fato deve ser compensado com a dedicação a um todo maior, seja profissionalmente, espiritualmente, dedicando-se às artes, ou outra forma de expressão de vida.
11 – longos relacionamentos sem casamento, ou seja, o compromisso de ficar juntos, seja isso oficial ou não, significa que o parceiro está passando a mensagem ao outro: você não é bom o suficiente para mim. E vice-e-versa.
12 – a fidelidade baseada na idéia: eu sou a única pessoa boa para você, e portanto, você é só meu, está contaminado com questões sistêmicas. Um casal ajustado é fiel, até o momento que tiver que ser.
13 – não existe perdão no relacionamento. Quem perdoa, se coloca em posição superior ao outro. E quem pede perdão, joga toda a responsabilidade da sua culpa ao outro. A solução para um erro é dizer: fiz isso. Sinto muito. Com sinceridade. O único perdão válido é o mútuo: eu lhe feri. Você me feriu. Vamos nos perdoar e recomeçar…
14 – encontrar um parceiro perfeito significa estar consciente e equilibrado com as próprias emoções sistêmicas, permitindo encontrar um companheiro igualmente equilibrado e consciente.

ALEX POSSATO

Amor e crise na visão sistêmica



Quando uma relação entra em crise, na verdade ela só está expondo os problemas sistêmicos encubados, que já existiam antes mesmo do casal se conhecer. Trazemos conosco tendências de emoções, pensamentos e comportamentos hereditários, e estas tendências ficam latentes, esperando só o momento para se manifestar. Devido a elas – as emoções latentes, encontramos exatamente o tipo de parceiro ideal para que isso ocorra. Parece maldade do universo, certo? Mas não é. É exatamente o contrário: a natureza humana faz com que, ao manifestarmos esta “combustão” sistêmica, possamos harmonizá-las do nosso sistema familiar. Pois é, herdamos tendências a manifestar determinados comportamentos para que, ao trabalhá-los, eles não ocorram mais, e possamos deixar aos nossos filhos e netos a imunidade. Não sei se isso parece estranho, mas é exatamente assim que ocorre a evolução biológica das espécies. Cada geração que vem, é mais forte que a anterior. Como todos percebem, os homens vivem cada dia mais anos – isso significa que ele se torna forte, a cada geração. E como ele se torna forte? Enfrentando todas as calamidades, doenças, epidemias que surgiram durante os séculos e séculos de existência humana. Somente os fracos sucumbem.

As emoções e pensamentos conflitantes, segundo a teoria sistêmica, também passam por esta depuração. E a linhagem familiar quer, no fundo, que seus descendentes sejam fortes, para que a linhagem se perpetue. Faz sentido, certo? Mas vamos lá: o que tem a ver este papo de gerações mais fortes, emocionalmente, e as crises de relacionamento? Bem, como disse acima, a crise é uma oportunidade de ficarmos fortes emocionalmente. Para se resolver um problema emocional, é necessário olhar para ele. Quando surge uma briga, por mais que a razão diga coisas do tipo: você é insensível! Você me traiu! Você não liga para mim, só para os filhos! Você está com caso com outra! Você está uma balofa! No fundo, tudo isso é desculpa. O que a emoção está dizendo por detrás das acusações? Geralmente, coisas do tipo: quero ser visto; quero carinho; quero que você me abrace e não fale tanto; quero compartilhar…

A busca do ser visto e acolhido é sistêmico. Todos nós temos esta necessidade, e isso é herdado do sistema familiar. Quando não sabemos lidar com esta necessidade, queremos que o parceiro faça isso por nós. E como atraímos exatamente o tipo de parceiro que precisamos para depurar nossas emoções, ele também quer o mesmo de nós. O que acontece quando duas crianças querem o mesmo doce? Podem brigar ou dividir. Se um deixar a sua parte para o outro, desculpe-me a expressão, mas está ferrado. Porque quem deu a sua parte, permanece com a carência. E o outro, inconscientemente, assume o papel de culpado, porque recebeu mais do que merecia. É, as regras sistêmicas são muito diferentes que as “crenças sociais” sobre relacionamento.

ALEX POSSATO

Livro: "A PAZ QUE FALTA NA SUA VIDA" do Dr. Robert Williams o criador de PSYCH-K



Livro: "A PAZ QUE FALTA NA SUA VIDA"  
do Dr. Robert Williams o criador de PSYCH-K

* Capitulo oferecido no site de Psych-k em ingles . Abaixo você poderá ler a tradução deste capitulo ou entrar no site americano e ler em lingua original
Capítulo 7

As diferenças que fazem a diferença
Como você aprendeu, Psych-K é baseado em conjunto de técnicas de integração do cérebro derivados de anos de investigação sobre os hemisférios cerebrais. Juntamente com o conhecimento de comunicar eficazmente os objetivos pessoais para o subconsciente. Psych-K é uma forma rápida, eficaz e fácil para mudar a percepção subconsciente do desatualizado e as crenças que podem estar sabotando seus objetivos na vida. Mas, essas etapas não são as únicas coisas que distinguem Psych-K de autoajuda de outros processos. Embora nenhum processo de mudança tem todas as respostas, o tempo todo, para todas as pessoas, os seguintes elementos incluídos na Psych-K tornam o processo muito eficaz. Considere estas importantes características, quando você compara Psych-K a outros métodos de mudança, para poder decidir qual é o processo indicado para o teu caso.
A Peste da impotência
A crescente sensação de impotência é evidente em todos os povos. Um profundo sentimento de impotência influencia e controla os aspectos importantes de nossas vidas. O resultado é que muitas vezes dependemos de "especialistas" para cuidar da nossa saúde mental, física, espiritual e bem-estar. Essa dependência pode fomentar uma atitude de vitimização e impotência. Nós paramos de ter responsabilidade por nossas vidas e transferimos essa responsabilidade para os outros. Esta tendência é ainda mais evidente no mundo das técnicas de auto-ajuda. Essa ideia tem a sutil implicação que o facilitador vai ser responsável pelo que acontece durante a sessão e que o cliente está fazendo um papel passivo na cura/processo de mudança. Em essência, o sucesso da sessão vai depender da habilidade do facilitador em vez de todos os recursos que o cliente pode usar para a interação.
Com Psych-K, nada poderia estar mais longe da verdade. Psych-K é um processo que faz com que a terapia dependa predominantemente da sabedoria interior do indivíduo que procura mudar. Ele é estimulado para se envolver e ativar os recursos internos do subconsciente para a mente superconsciente. Em parceria com um facilitador de Psych-K, esta abordagem honra o poder e a responsabilidade do indivíduo em fazer as mudanças que ele procura. O Psych-K muda os próprios processos de autoafirmação e autocapacitação. Daí, eles são uma “vacina” eficaz contra a praga de impotência.
Protocolos de permissão
Uma característica muito importante de todos os processos de Psych-K é a permissão de protocolo. Muitas técnicas de autoajuda simplesmente afirmam que se pode "corrigir" um problema, sem considerar que existe a possibilidade de que o problema possa mascarar uma importante oportunidade lição de vida. Além disso, os problemas podem simplesmente ser estratégias conscientes ou inconscientes para atender às necessidades importantes na sua vida. Em outras palavras, o problema que você quer se livrar de pode ser uma solução para um problema muito maior. O que pode parecer uma incapacidade de fazer uma coisa, pode ser uma habilidade de fazer (ou evitar) outra coisa.
Por exemplo, eu trabalhei com uma adolescente e sua mãe em uma série de sessões privadas. A menina estava tendo crises de tipo epilépticas. Um neurologista que a examinou, confirmou as apreensões, no entanto, as tentativas de tratamento foram infrutíferas. Durante as sessões com a menina eu fiquei desconfiado que determinadas tensões estavam tendo uma enorme uma importância em sua vida. Como constatei, a menina estava se formando no colégio e tinha pavor de ir para a faculdade, onde deveria viver de forma independente. Ela estaria, então, sujeita às consequências de suas escolhas na vida, e sentia-se extremamente inseguras sobre sua capacidade de fazer escolhas corretas. Como consequência, ela passou a contar com a sua mãe para levá-la onde ela queria ir. Também usava seus ataques como um modo de restringir as suas atividades ao ambiente doméstico, onde ela se sentia segura. Usamos Psych-K para criar uma imagem muito diferente da vida independente, que era tão temida. Ao estabelecer novas crenças de apoio ao subconscientes, ela mudou completamente sua atitude em frequentar a faculdade e viver por conta própria. Em apenas algumas sessões seus medos foram embora, e todas as suas apreensões.
Esta experiência ilustra a importância de considerar as consequências, evitando simplesmente de eliminar os sintomas sem estar consciente do objetivo que eles podem desempenhar no quadro global da vida de uma pessoa. Não é de admirar que as tentativas fisiológicas para tratar as convulsões não funcionaram, porque a causa subjacente era psicológica. Os tratamentos médicos tinham retirado o sintoma, e eu não posso deixar me imaginar: qual sintoma que a mente teria manifestado para lidar com o medo de ser independente? Removendo os sintomas, um médico, psicológico ou um processo de autoajuda, sem considerar o benefício que o sintoma pode estar fornecendo na vida de uma pessoa, estaríamos apenas substituindo um problema por outro.
A menos que você acredite que vivemos em um universo aleatório desprovido de sentido, que o acaso e os acidentes são a norma, você provavelmente verá a sua vida como uma série de ocorrências significativas, que acontecem por uma razão. Eu cheguei à esta conclusão depois de várias "coincidências significativas", também conhecida como sincronização que certamente mudaram a minha vida. Os problemas são uma parte significativa das nossas experiências. Eles podem ser portadores de mensagens importantes. Já reparou que, mesmo se você pode se livrar do problema, muitas vezes o mesmo retorna de uma forma diferente para dar-lhe mais uma oportunidade para aprender a lição? Na verdade, muitas vezes retorna como uma vingança. Se você não "entender" a mensagem, que foi apenas um sussurro dentro de você, na próxima vez podes experimentá-lo com um tapa na cara! Com Psych-K você pode aprender a lição, antes de apresentar o sintoma. O processo de mudança utiliza o teste muscular para obter permissão antes de fazer uma mudança. A permissão é feita tanto ao subconsciente quanto à mente superconsciente para garantir a segurança e adequação do processo de mudança de crença.
A conexão do subconsciente
Você pode chamá-lo superconsciente, Eu Superior, espirito, alma, ou qualquer outra coisa, o conceito de uma parte da consciência para além das nossas mentes conscientes e subconscientes, por milênios tem feito parte da cultura humana. Embora muitos cientistas e psicólogos continuam a debater a existência da mente superconsciente, milhares de anos de história espiritual e aceitação pelas mentes mais brilhantes da humanidade, fez com que fosse incluída no modelo de mudança de Psych-K. Foi este guia superior que você pode chamar Deus, Divina Inteligência, Mente Universal, espírito, etc, que me orientou no processo de Psych-K e foi responsável por eu "baixar" os padrões de mudança para a minha mente consciente em 1988-1989. Meu ego gostaria de ter mais créditos na descoberta de Psych-K, mas a minha mente consciente e consciência sabem mais. A realidade de uma consciência espiritual expandida é uma ponte importante entre a espiritualidade e da psicologia contemporânea. Psych-K oferece uma formato que combinar as duas perspectivas.
Com a aceitação do conceito da mente superconsciente como uma fonte valiosa da consciência expandida, surge uma advertência sobre a tentação de deixar para este nível da mente até mesmo as escolhas mais mundanas do dia a dia. Lembre-se, é a nossa mente consciente, que visa estabelecer metas e avaliar resultados, é a nossa mente volitiva. Em contrapartida, o subconsciente é a mente habitual. Ela não escolhe as ações, ela simplesmente responde ao ambiente de uma forma automática. A mente superconsciente é diferente das outras "mentes". Se comportando como um pai atento e carinhoso. Seu trabalho é supervisionar o processo de desenvolvimento do seu crescimento e evolução como um ser espiritual, enquanto vive uma experiência humana, para que você possa aprender suas lições e crescer para ser um adulto completo. Se você deixasse todas as suas decisões ao “seu pai”, você nunca iria ter a confiança necessária e auto suficiência para fazê-lo no mundo por conta própria. Uma coisa é conferir (falar sobre isso) com o seu pai, quando você precisa tomar uma importante decisão, outra completamente diferente é deixar a responsabilidade para ele (deixá-lo tomar a decisão por você).
Se você pensa na mente consciente como a mente superconsciente "em formação", você vai encontrar uma explicação agora. O famoso filósofo grego Sócrates compreendeu bem esse princípio. Ele era conhecido por responder a perguntas de seus alunos com perguntas. Esta técnica pode ter frustrado os alunos. No entanto, Sócrates percebeu a importância de cada aluno de ter a sua própria conclusão, a fim de desenvolver a confiança e a auto suficiência. O objetivo de um grande professor ou pai é fazer com que o aluno ou a criança não dependam do professor para as respostas. O objetivo aqui é da sua mente consciente se integre com o superconsciente e mentes subconsciente, tornando-se uma consciência unificada. Neste estado, a intuição, vontade e ação se tornam um.
Se você não sabe para onde está indo, como você saberá quando você chegou?
Este axioma deveria ser óbvio para qualquer um que já estabeleceu uma meta e a realizou, mas é um passo frequentemente omitido em outros processos de crescimento pessoal. Muitas abordagens simplesmente focam a liberação ou como se livrar de um problema. Para a mente subconsciente, é como entrar num táxi em Nova York, com o desejo de ir para o prédio do Empire State, mas dizendo ao taxista que você não quer ir para a Times Square. Mesmo que seja verdade que você não quer ir para a Times Square, essa informação não é especialmente útil para o motorista de táxi determinar onde você quer ir. Expressar seus desejos como negações não é apenas confuso, mas pode até ser contraproducente. A mente subconsciente tende a omitir negações. Por exemplo, a frase anterior poderia ser ouvida pelo seu subconsciente como: "Eu negação (excluído) quero ir para a Times Square", um dos muitos lugares que você não quer ir! Para dizer ao seu subconsciente que você não quer ficar deprimido, ansioso, inseguro ou doente, não é o mesmo que dizer que você deseja é ser feliz, calmo, confiante ou saudável.
Mesmo escolhendo melhor as palavras, a abstração ainda pode ser um problema. As declarações positivas que acabamos de mencionar são muitas vezes demasiado abstratas para o subconsciente entender e agir com clareza e precisão. Elas precisam ser traduzidas em uma linguagem basicamente sensorial, criando um quadro mais concreto ou uma descrição literal do seu objetivo. Este processo, eu chamo “VAK para o Futuro”. Lembre-se, o subconsciente conhece o mundo apenas através de seus cinco sentidos. Metas abstratas criam muitas vezes decepcionantes resultados abstratos.
Você não pode construir uma casa com apenas um instrumento
Muitos sistemas de autoajuda utilizam uma técnica específica para resolver todos os problemas, que é como pedir a um carpinteiro para construir uma casa usando apenas um martelo! Se toda a casa poderia ser construída usando apenas as unhas, não seria um problema, mas construir casas é muito complexo. E, as pessoas são mais complexas do que casas. Uma característica importante de Psych-K, é que o uso do teste muscular, permite que a mente subconsciente possa escolher o processo de mudança que ela prefere. Porque faz com que a mente subconsciente, mude a percepção necessária sobre a crença, mas só tem sentido deixando-a escolher a ferramenta "certa" para o trabalho.
Einstein estava certo
Foi Albert Einstein que disse: "Tudo deve ser feito o mais simples possível, mas não mais simples." Psych-K exemplifica este princípio. Na minha exploração sobre a autoajuda e outras técnicas de mudança nos últimos vinte e tantos anos, que eu descobri que muitos processos pareciam desnecessariamente complexos. Um pressuposto que muitos praticantes de autoajuda acreditam, é que quanto mais complexo é um processo ou uma teoria, mais poderoso será. A noção de complexidade traz consigo um ar de mistério e poder. Quanto mais exótico e misterioso, melhor! Infelizmente, ainda "rezamos aos deuses da complexidade" para encontrar o poder de melhorar nossas vidas. O fato é que existe a crença de que o poder da complexidade contribui para a eficácia de muitas técnicas complexas. Psych-K me ensinou que a mente subconsciente é o melhor juiz de como um processo deve ser, porque é uma parte da mente que vai fazer as alterações. No outro extremo, testemunhei processos que eram tão simples que pareciam "muito bons para ser verdade", e geralmente eram. Ao utilizar o conhecimento da mente subconsciente para determinar o quão simples ou complexo processo necessita de ser, a fim de realizar seu objetivo, você pode estar certo de que o processo de escolha será "o mais simples possível, mas não mais simples."
O que conta é a sabedoria, habilidade e intimidade
A maioria dos processos de autoajuda dependem muito da habilidade do facilitador. Se o facilitador está distraído ou teve um dia ruim, você pode ter resultados apenas satisfatórios ou mesmo uma experiência contraproducente. Isto não ocorrer com o Psych-K. O fato é que você pode ter pouca habilidade em fazer Psych-K e ainda assim facilitar as mudanças notáveis em você e nos outros. A razão é que a qualidade da experiência é o principal resultado da sabedoria que reside no superconsciente, bem como a capacidade da mente subconsciente da pessoa que vivencia o processo, e não da habilidade do facilitador. Ele retira a pressão da pessoa que esta facilitando o processo, bem como da pessoa que experimenta a mudança. Psych-K confia na sabedoria interior e na capacidade individual de sabedoria que a maioria das pessoas nem sequer sabem que têm. Ao longo dos anos, eu assisti a esta inteligência interior se manifestar em pessoas de idades 9 a 90 em cursos e sessões privadas, oferecidas nacionalmente e internacionalmente. É uma maravilha de se ver!
Teste muscular e os olhos
Quando comecei a usar o teste muscular em meu consultório particular, eu notei que nem sempre precisava de respostas lógicas ao teste muscular em alguns dos meus clientes. Por exemplo, ao estabelecer uma comunicação com a mente subconsciente, usando o teste muscular, eu instruía o indivíduo para dizer: "Meu nome é (nome real)." A resposta muscular normal é geralmente forte. Quando solicitado a substituir por um nome falso na sentença, a resposta normal do músculo, geralmente é fraca. No entanto, de tempos em tempos,ocorria que o teste dava forte para o nome falso, bem como para o seu nome real. Na verdade, respondiam fortes para testar uma série de declarações falsas sobre si mesmos. Sem respostas musculares credíveis, continuei com o trabalho de mudança de crenças, esperando que não fosse um jogo de adivinhação.
Com o tempo, comecei a notar uma peculiaridade nessas pessoas. Pouco antes de eu pressionar o braço estendido utilizado para os testes musculares, notei que os olhos das pessoas se moviam para cima, como se estivessem olhando para algo no teto. Lembrei-me dos estudos que havia feito em Programação Neurolinguística (PNL), sugerindo que quando as pessoas olham para cima, elas geralmente estão processando pensamentos visualmente (formando imagens). Quando elas olham para a frente, estão processando pensamentos sons (audição), e quando elas estão olhando para baixo, estão geralmente processamento cinesteticamente (experimentando sentimentos ou sensações físicas). Com efeito, quando olhavam para cima durante o teste muscular, elas se afastavam de seus sentimentos e de seu sistema sensorial visual. Como a resposta do teste muscular às autodeclarações depende de uma resposta fisiológica da mente subconsciente expressa através do corpo físico, foi possível perceber que o indivíduo não estava experimentando os sentimentos necessários para assegurar um preciso teste muscular. Após muita reflexão e observação, eu também notei que os pacientes com históricos de significativos traumas de infância foram os mais propensos a olhar para cima quando solicitados a acessar as memórias desagradáveis ou fazerem declarações que podiam envolvê-las. Parecia que estavam à procura de uma estratégia subconsciente para dissociar as memórias desagradáveis. Esta prática desconectava os sentimentos necessários criando uma resposta muscular em conflito (fraco) a partir do subconsciente. Assim que eu pedi para manterem olhos focados no sentido descendente, durante o procedimento de teste e desta forma, as respostas foram normalizadas. A posição dos olhos não pode fazer a diferença em outras disciplinas usando o teste muscular para outros fins que não auto referencial, afirmação ou declarações, mas se tais declarações são utilizadas, devo estar ciente de que a posição dos olhos pode afetar drasticamente a precisão das respostas, resultando em enganosa informações e conclusões falsas.
Esclarecendo a questão Intenção
Sabendo que a área do sistema corpo/mente que esta sendo analisada com o teste muscular é fundamental, Psych-K identifica e se comunica com três distintos níveis interativos de consciência: o consciente, subconsciente e superconsciente. Comunicação verbal comum é a ligação padrão suficiente para a mente consciente. Teste muscular é um método inadequado de comunicação com esse nível de mente, porque é capaz de se comunicar verbalmente. As características mais importantes da mente consciente no processo de Psych-K são vontade e discernimento. Essencialmente, esta parte de sua mente é projetada para definir metas (um ato de vontade) e resultados (juiz ou um ato de discernimento). Baseada em experiências passadas e suas consequências, a mente consciente usa suas faculdades de discernimento e vontade própria para fazer as escolhas mais sábias que pode e, em seguida, colocá-las em ação.
É particularmente importante ter uma clara intenção ao acessar o subconsciente e a mente superconsciente. Onde você dirige a sua atenção determina com qual parte da mente estas te comunicando. O teste muscular é o elo de comunicação mais fácil para os níveis subconsciente e superconsciente para a maioria das pessoas. Cada nível tem suas próprias qualidades e habilidades únicas para contribuir para o processo de mudança. Por exemplo, pedir ao subconsciente para lhe fornecer informações além do seu "habitual" a resposta poderá ser inadequada ou enganosa. O subconsciente é como uma criança precoce de cinco anos, com muita informação, mas não muito sabia.
Por outro lado, pedindo à mente superconsciente para realizar as funções mecânicas para reescrever o "software" desatualizado ou indesejável também é inadequada, dado que a atividade é o domínio do subconsciente. Lembre-se, o subconsciente é o armazém das suas atitudes, valores e crenças e controla suas respostas habituais na vida. Por outro lado, a mente superconsciente possui a sabedoria que o subconsciente e mentes conscientes não possuem. Sua função é dar conselhos e apoio para os outros níveis da mente e para ajudar a manifestar as intenções da mente consciente e subconsciente, criando coincidências "significativas" na sua vida, que as pessoas que chamam de "sorte". Trabalha geralmente através da faculdade da intuição humana. Para manifestar ou realizar os seus objetivos pode ser decepcionante e frustrante quando surge uma discrepância entre seus objetivos a sua programação consciente e subconsciente. Neste caso, o superconsciente recebe mensagens misturadas, que muitas vezes se manifestam como resultados mistos. É análogo a dirigir seu carro com um pé no acelerador e um pé no freio.
O protocolo de permissão de Psych-k mencionado anteriormente, esclarece qual é a sua intenção e faz as distinções necessárias para assegurar que você esteja abordando a intenção no nível adequado da mente que é capaz de realizar a tarefa que desejada. Sem esta clareza, você está sujeito às metáforas ou armadilhas conhecidas de um computador, "lixo no lixo". Estas são apenas algumas das características mais importantes de Psych-K, para manter a integridade e a segurança do processo de mudança pessoal. Seguindo passo a passo as instruções escritas e treinamento de pessoal oferecido no curso de PSYCH é tudo que você precisa para utilizar a técnica de forma segura e com êxito.
E um último ponto: Psych-K é um veículo para a mudança. É como um carro, mas não decide onde você deve ir, só fica lá. Em outras palavras, Psych-K não escolhe o que você deve acreditar. Ele ajuda você a acreditar no que você escolher para a sua vida.
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Facilitadora Tania Rocha - Corso Base Psych-k  - Gallarate - Italia
 e Corso de Psych-k Advanced Workshop  - Milano - Italia
Telefone de contato: (48 )9927-5666

Atendimento: Condomínio Koerich Beiramar Office - Sala 304
Rua: Demétrio Ribeiro, 51 (Entrada Principal)

Av. Mauro Ramos, 1970 (Entrada Lateral)


(ao lado do Shopping Beiramar)
Centro - Florianópolis 



Casamento: a ligação que ninguém dissolve....



Quando um homem e uma mulher se aceitam um ao outro no sentido lato de homem e de mulher, então a consumação do seu amor cria uma ligação entre eles que não pode ser dissolvida. Esta ligação é muito diferente dos ensinamentos morais de várias igrejas sobre a indissolubilidade da união. A consumação do amor neste sentido cria uma ligação independente do casamento e de qualquer ritual ou cerimônia. Reconhecemos a existência desta ligação pelos seus efeitos. Por exemplo, se alguém frivolamente abandona um parceiro com quem se tenha ligado desta forma, a seguir, tem dificuldade em manter algum outro novo parceiro. O novo parceiro detecta a ligação e não se sente livre para reclamar ao novo parceiro, nem para se tornar completamente aberto e vulnerável. Por exemplo, uma mulher sentiu secretamente que era melhor do que a primeira esposa do seu novo marido, e convenceu-se de que o poderia fazer muito mais feliz do que a primeira esposa tinha feito. Não obstante, após alguns anos, tornou-se incapaz de ter intimidade com ele. Desta forma, inconscientemente reconheceu a ligação à primeira esposa, e também a sua própria lealdade ao primeiro parceiro. Perdeu também o marido, como a primeira esposa tinha perdido.

Em constelações familiares, observamos frequentemente que uma segunda esposa mantém uma pequena distância de seu marido, como se não pudesse tê-lo inteiramente porque ele já estava ligado a outra pessoa. Também podemos reconhecer a profundidade da ligação pelo seu efeito. Regra geral, o fim do primeiro amor é o mais difícil, é o mais doloroso. A separação é geralmente mais fácil com a segunda ligação, e ainda mais fácil com a terceira. Esta ligação não é o mesmo que amor. Às vezes acontece que a ligação é muito profunda, mesmo que haja pouco amor, ou que há um grande amor e uma pequena ligação. A ligação é criada pelo ato físico do sexo e deve ser respeitada Se a pessoa espera mais tarde ligar-se profundamente, ele ou ela devem tratar da primeira ligação de uma forma boa. O efeito negativo da primeira ligação suaviza-se quando é reconhecido, e o primeiro parceiro tenha recebido o devido respeito. Quando a primeira ligação é odiada e tratada como algo vil, choca-se com a habilidade da pessoa ligar-se outra vez mais tarde, em melhores circunstâncias.

Palestras de Hellinger

Hierarquia do amor na família



O fruto do amor entre um homem e uma mulher são os seus filhos. Há também uma ordem escondida que suporta o amor entre filhos, a sua ordem na hierarquia familiar. A hierarquia familiar segue o fluxo do tempo, isto é, aqueles que estavam lá primeiro vieram antes daqueles que vêm mais tarde. Numa família, os pais já lá estavam antes dos filhos. O seu amor de um pelo outro enquanto homem e mulher, fundaram a família, e vem antes do seu amor para com os seus filhos, como pais. Em algumas famílias, as crianças atraem a total atenção de ambos os pais. Em tais famílias, os pais já não são principalmente um casal, mas sim fundamentalmente pais, e os seus filhos geralmente sofrem com isso. Quando o amor dos pais um pelo outro, como homem e mulher, mantém a sua prioridade, os filhos geralmente sentem-se muito confortáveis e satisfeitos. Em famílias assim, o pai está implicitamente a comunicar aos seus filhos, "eu vejo-te como és, mas também vejo a tua mãe em ti; e em ti, eu amo-a e respeito-a mais do que sempre." E a mãe comunica aos filhos, "eu vejo-te como és; mas ver-te lembra-me o quanto eu amo e respeito o teu pai, porque eu vejo-o em ti também." E os pais comunicam um ao outro, "quando vejo os nossos filhos, amo-te e respeito-te ainda mais." Então o amor dos pais para com os seus filhos é uma continuação do seu amor como um casal, mas o amor de um para o outro dos pais mantém a sua precedência, e os filhos sentem-se livres.

Muitas famílias hoje são segundas ou terceiras famílias. Por exemplo, quando o homem e a mulher tiveram relacionamentos anteriores e trazem filhos para o novo relacionamento. Qual é a ordem de prioridade então? Os pais foram pais dos seus filhos antes de formarem um casal. O amor para com os seus filhos não foi uma continuação do seu amor um pelo outro, como homem e mulher, porque eram pais antes de serem um casal. Nestas situações, os novos parceiros devem reconhecer que o amor aos filhos veio antes do amor pelo novo parceiro e que o grande amor e a maior dedicação tendem a fluir para os filhos - e naturalmente nas crianças, para o anterior parceiro também. Somente então, na extremidade da corrente, flui o amor e dedicação para o novo parceiro. Se ambos os parceiros aceitarem esta hierarquia do amor, então o seu amor pode florescer. Mas quando um dos parceiros do novo casal diz ao outro, "eu quero vir em primeiro lugar, antes de seus filhos", então o novo amor fica em perigo e não resistirá por muito tempo.

Quando um casal traz filhos para o seu novo relacionamento e tem depois filhos juntos, a sequência é que primeiro eram pais dos filhos originais, depois um casal, então pais dos seus próprios filhos. Os casais que respeitam esta sequência natural de tempo e a sua relevância para os seus relacionamentos podem evitar e resolver o grande desafio dos conflitos nas parcerias. Assim, eu esbocei momentaneamente algumas das ordens mais importantes do amor que nós observamos operando nos relacionamentos entre homens e mulheres. De passagem, pode ser útil dizer que há também ordens do amor para casais sem filhos, incluindo casais homossexuais. Concluindo, quero contar-lhes uma história sobre o amor. Chama-se Duas Boas Sortes.

Constelação Familiar em Florianópolis


SEGREDOS DE FAMÍLIA



Existem segredos dentro de uma família que precisam vir à tona. Quando estes segredos são escondidos, isso tem efeito sobre várias pessoas dentro desta família, dentro deste sistema. Por exemplo: quantas crianças existem? Existe ou existiu alguma criança sobre a qual não se fala? Quando isto vem à tona, todos se aliviam. Ou, às vezes, nega-se a uma criança a identidade de seu pai. Todas as crianças têm o direito de saber a identidade de seu pai e de sua mãe! Imaginem uma mãe ter um filho de outro homem e este segredo permanecer oculto, velado. O quanto esta mãe precisa se esforçar para guardar este segredo? Já presenciei algumas constelações onde a mãe que oculta a verdade do filho estava com uma doença mortal e, numa delas, quando a verdade foi revelada o alívio foi tamanho que fiquei sabendo posteriormente que a doença desapareceu! O quanto esta mãe vive este martírio por dias e dias sem fim? Mas engana-se quem pensa que a criança não sabe que há algo escondido. no sistema familiar - esta criança sabe - inconscientemente. Ela não pode dizer que ela percebe! Carrega um peso, portanto.

Mas, por outro lado, existem segredos que precisam ser guardados. Por exemplo, numa situação de guerra: um soldado passou por muitas experiências e também cometeu vários erros. Seu filho lhe indaga o que aconteceu lá. Este segredo deve ser guardado. O pai deve lhe dizer que isso não é de sua conta. Isso é respeito. Todos nós temos segredos que guardamos e não são da conta de ninguém. A mulher tem certos segredos e o homem também tem certos segredos. Se um cônjuge quer saber sobre os relacionamentos anteriores do outro, o relacionamento acaba. Isto não é da conta do outro. Quando um casal respeita os segredos um do outro, mutuamente, cada um se sente seguro com outro, e isto está a serviço do amor. Certas coisas são sagradas. A intimidade de uma relação a dois é sagrada!

Pais que contam aos filhos coisas sobre a relação do casal dá imediatamente ao filho um peso enorme. Estes segredos devem ser guardados. Quando seu pai vir até você contando "sua mãe aprontou tal coisa comigo" corte imediatamente! Funciona muito dizer ao seu pai "pai, você está falando sobre a sua ESPOSA, e com isso não tenho nada a ver. Por favor, não fale mal de sua esposa para mim, afinal você está falando para mim da minha MÃE!" Claro que isso vale igualmente para sua mãe falando mal de seu pai. Toda curiosidade prejudica o relacionamento!

Cristina Maruju

6° Encontro de Constelação Familiar em Florianópolis


O sistema familiar: amor e dor



O sistema familiar ao qual pertencemos atua como uma rede de energia ou “campo” em que tudo e todos estão profundamente entrelaçados. Cada família tem o seu "campo de ressonância" próprio, o que pode ser definido como “alma da família”. Sempre que acontece numa família um evento agradável ou dramático, seus participantes estarão envolvidos física, emocional e espiritualmente.

Quando uma família tenta esconder alguma coisa, um evento criminoso ou traumático, algo desonroso que provocou um profundo sentimento de vergonha e tristeza, essa dor escondida forma a base de um “legado familiar”. Ao tentar excluí-lo ou escondê-lo, o fato toma força e será herdado pelas gerações futuras, que vivenciarão (inconscientemente) a dor dos excluídos, numa tentativa de compensar o sofrimento dos que foram excluídos pela família. Estes "legados" são preservados nas almas dos indivíduos pertencentes à família e na alma da família em forma de memórias coletivas que se repetem muitas vezes dramaticamente idênticas. As datas e a forma do sofrimento ocorrido muitas gerações atrás, são revividos por um bisneto ou uma sobrinha neta que, para “compensar a dor no campo da família” repete a dor do excluído ou do “segredo de família’”. Como exemplo, podemos citar famílias onde várias pessoas morrem de câncer, ou aquelas onde a cada dois anos acontece uma morte ocasionada por acidente no trânsito ou ainda aquelas onde muitos são bipolares ou psicóticos.

Cada família tem sua própria lealdade interna distinta e seu sistema de acerto de contas, e estes servem para equilibrar a dor familiar e para manter "as coisas no lugar". Deste modo a família pode decidir quem manter ou excluir, afastando qualquer coisa que faça a família se sentir em culpa, em perigo ou com um sentimento de vergonha. Quando um grupo familiar viola uma das leis básicas do campo sistêmico, excluindo um membro do grupo ou escondendo um fato importante, tenta evitar responsabilizar-se pelo fato ou viver sentimento de culpa. Mas nada fica sem compensação – absolutamente nada! O sofrimento causado a algum membro da família pode reaparecer em outro momento, e em outra geração que nem conheceu os parentes ou ignora totalmente os fatos. O que a memória da família busca é o equilíbrio do “campo sistêmico”, ou seja, compensar os sofrimentos que continuam a desequilibrar o sistema daqueles indivíduos.  Cada membro de uma família tem importância, mas o campo que os une e lhes deu a vida é mais importante que casa indivíduo. Desta forma, cada geração que nasce, busca inconscientemente compensar as dores dos antepassados e utilizar seus talentos. Alguns legados e heranças podem se tornar a maior força motriz na família, fazendo o seu caminho através de muitas gerações, por vezes, de uma forma devastadora, como em casos de violência física ou sexual, ou em casos de abortos, suicídio ou assassinatos.

Com a terapia de “Constelações Familiares” essa harmonia é restabelecida  proporcionando paz e alívio a todo o sistema da família em questão. Com consciência, amor e utilizando os rituais de inclusão de quem está excluído, pois todos têm o igual direito de pertencer, o sistema fica muito leve. Para encontrar paz e felicidade em nossas famílias, devemos reconhecer a lei que se refere ao equilíbrio entre dar e receber, e respeitar a hierarquia de tempo: os mais antigos vêm primeiro e os mais novos vêm depois. Quando essas regras ou leis são vividas no sistema familiar, será deixado um “legado” leve para os futuros integrantes. Isso significa – saúde, alegria e paz para as próximas gerações.

Tania Rocha
Facilitadora de Psych-k e Constelações Familiares

Quando o amor acaba....



Pergunta para mim mesmo... é que estou vivendo exatamente esta fase do "... e agora"? Sempre vem um monte de perguntas na cabeça, um monte de dúvidas, e emoções intensas afloram como o dragão a sacudir suas asas para fora da caverna. Raiva, ciúme, inveja, sentimento de coitadinho, impotência, decepção... Mas será que é só isso? 

Bem... não vou escrever um texto do tipo "10 dicas para uma separação feliz"... porque seria, em primeiro lugar, uma enganação. Não existe separação feliz. Em segundo lugar, porque cada caso é um caso... Ainda não conheci uma separação como a minha, onde não houve traição, não houve sérios problemas financeiros, não houve brigas homéricas... inclusive, continuo a manter a amizade, o respeito e até o trabalho conjunto com a ex. Foram 15 anos. Dois filhos. Muitas conquistas. Muitas mudanças. Aprendizado infinito. Compramos casas. Descompramos. Criamos empresa. Descriamos. Caminhei pela senda do meu desenvolvimento espiritual... e aí acho que foi o x da questão. Sempre fui muito ligado à espiritualidade. De uma forma mais racional, mas um interesse enorme pelo crescimento da alma. E na minha concepção, o desenvolvimento espiritual incluía a formação de uma família feliz. Uma família feliz, que eu não tive. Aí a coisa pegou. Eu não sabia, mas estava misturando um desejo profundo da alma, que é perceber a realidade de ser e estar uno a Deus, com uma dor profunda da criança emocionalmente ferida, que desejava criar uma família que eu não tive. 

Sim, nasci sem conviver com meu pai. Ele já estava com outra. E minha mãe me deixou aos 4 ou 5 anos. Isso, lógico, sem contar com suas inúmeras ausências e descaso, nos primeiros anos de vida. Eu e meu irmão mais velho fomos criados pelos avós paternos. Ele, esquizofrênico. E eu me achava normal. Minha avó era neurótica, meu avô, omisso e subjugado. Mas somente hoje percebo que, em proporções diferentes, eu era também doente mental. Sim, doente, pois durante 40 anos da minha vida, vivi com a mente emocional presa a este passado. E por isso tentei desesperadamente criar a família feliz. Mas como criar uma família feliz, se eu não estava emocionalmente ligado ao casamento? Eu não era o marido, mas, sim, uma representação do que deveria ser o marido ideal, que eu nem sabia o que era. Também não era pai, mas uma representação do que seria o pai perfeito que eu não tive. Vivendo os fantasmas do passado, nunca me permiti ser eu. Fazia tudo para que a família estivesse unida... sacrifiquei-me o tempo todo para que a esposa estivesse feliz - e ela nunca estava... e assim não destruísse um sonho que, no fundo, era o meu maior pesadelo: uma família unida. Na verdade, havia uma criança lá no fundo, dentro de mim, dizendo: não me abandone novamente, papai. Não me deixe mamãe. Proteja-me papai. 

Hoje, trabalhando com constelação familiar, descobri que eu - ou esta criança interna, estava negando o passado, a família que eu tive, negando meu pai e minha mãe. Estava, de certa maneira, dizendo: não aceito que foi assim! Vou mostrar como é que se faz! Vamos pensar racionalmente: negar uma coisa que foi, que aconteceu, e ainda por cima, criar em cima disso um sonho, não tem como dar certo, né? Em constelação, sabemos que ao negar o pai e a mãe, negamos todas nossas raízes, e aí perdemos a força para a vida. Entendi, a duras custas e cabeçadas na parede, que a vida não se faz nem com negações, nem com sonhos. A vida se faz vivendo aquilo que é, aqui e agora. Se é pão, é pão. Se é pedra, é pedra. Não adianta querer mudar aquilo que é. E isso também é desenvolvimento espiritual. Ao negar aquilo que o Universo me proporcionou como família, estava negando Deus. Ao negar os fatos da infância, alguns realmente muito dolorosos, estava negando a vida. Ao perceber isso, algo em mim iniciou um movimento de resgate. Resgate de mim mesmo. Viver a minha própria vida. Apesar de todas as circunstâncias da vida, sou uma pessoa abençoada. Abençoado, inclusive, por ter encontrado uma mulher que também está em seu caminho espiritual, e possui qualidades incríveis, que muito me auxilia. Abençoado porque finalmente posso dizer: estou me desprendendo da necessidade de me pendurar emocionalmente em alguém. Não posso conceber uma relação onde um está pendurado no outro, e se o outro se ausenta, existe um sofrimento intenso. Isso não é amor, mas uma doença chamada co-dependência. Neste momento, tenho a possibilidade de realmente estar presente nas minhas relações, sejam familiares, sejam profissionais. Estar íntegro e disponível aos meus clientes, ao meu trabalho, e a mim mesmo. Sem desviar energia para ficar ruminando o passado, e nem desviar energia para criar fantasias sobre o futuro. Tudo isso é um processo. Lógico que tem horas que estou mais íntegro, e outras que estou totalmente fora do eixo. O negócio é respeitar o processo, os altos e baixos... porque sinto, claramente, que o equilíbrio lentamente vai se instalando, à medida em que permito que as coisas sejam como elas são. O equilíbrio surge como uma graça, e não como uma imposição mental. Incluindo até meus altos e baixos, permito que eu seja como sou. Com todas as imperfeições. Todas. Com todo o passado. E também com a luz e o brilho que Deus me deu, que no fundo, é a minha única realidade. 

Alex Possato é facilitador sistêmico, consultor e diretor do Nokomando - Desenvolvimento pessoal e espiritual 

O sistema familiar


O trabalho das Constelações Familiares demonstra que não há espaço para pessoas excluídas. A atitude comum que geralmente as famílias assumem perante a sociedade e dentro delas mesmas, de ter uma “postura social” onde fatos como abortos, amores traídos, filhos abandonados, tios esquecidos, etc., são escondidos no porão, não podem ser escondidos do Sistema Familiar e isso leva um outro membro da família a querer resgatar a dor da exclusão em nome de quem deveria ter feito isto antes. Este membro age simplesmente por amor, assim como o membro que excluiu anteriormente foi levado também pelo sistema a ter esta atitude. Não existem culpados. A terapia de Constelação Familiar está plenamente de acordo com as teorias da física quântica e da biologia, onde se mostra que toda a humanidade e em especial os membros de uma família, formam na verdade um único todo indissolúvel. Somos pequenas células de um único organismo e a ideia de que existe separação entre eu e o outro é apenas uma ilusão dos nossos sentidos físicos. 

Amar o próximo como a ti mesmo deixa de ser um postulado religioso e passa a ser uma obrigação para quem deseja a saúde física, financeira, familiar e espiritual. Porém, é importante saber: o amor profundo significa deixar as responsabilidades de cada um com eles mesmos. Querer assumir as responsabilidades de um pai, ou de um filho, ou de um marido, ou ainda, do “coitado da rua”, do menino carente, e assim por diante, não é amor – é desequilíbrio. É necessário confiar no sistema. O nosso papel individual é se equilibrar no sistema, se alguma coisa está incomodando e aceitar absolutamente tudo. “Ninguém é responsável”, diz Hellinger. “Tudo foi guiado por uma força maior. Então, a pessoa deveria dizer: ‘sou uma parte do movimento; não me excluo disso.’ Basta que ela reconheça que também faz parte disso e carrega as consequências, mas sem culpa. Isso nada tem a ver com culpa. A gente não precisa envergonhar-se. Este é um profundo processo de conexão, algo profundamente humano que me abre para outros e tira também do outro a resistência para se encontrar comigo”. Aí, o amor verdadeiro flui.

Aruanan
Consultor e terapeuta